Quando Warhammer 40000: Mechanicus chegou em 2018, poucos esperavam que ele se tornasse um dos jogos de estratégia mais queridos do universo 40K. Misturando combate tático inspirado em XCOM com uma atmosfera única, trilha sonora memorável e uma interpretação fascinante do Adeptus Mechanicus, o título conquistou fãs mesmo sem o orçamento de produções maiores.
Agora, anos depois, a Bulwark Studios retorna com Warhammer 40000: Mechanicus II. A sequência amplia a escala do conflito, introduz uma campanha completa dos Necrons e reformula diversos sistemas de combate. A proposta é clara: transformar o que antes era uma experiência mais focada em personagens e exploração em uma guerra estratégica muito maior.
Duas perspectivas da mesma guerra
A maior novidade de Mechanicus II é permitir que o jogador experimente o conflito pelos dois lados. Além do retorno do Adeptus Mechanicus, agora também é possível comandar os Necrons em uma campanha própria.

Essa mudança funciona muito bem para expandir o universo do jogo. Os Necrons sempre foram uma das facções mais intrigantes de Warhammer 40K, e vê-los assumir o protagonismo oferece uma perspectiva rara dentro dos videogames da franquia. Cada facção possui unidades exclusivas, estilos de combate distintos e habilidades próprias, criando campanhas que vão além de uma simples troca de modelos e armas.
O roteiro não alcança o mesmo impacto do primeiro jogo, principalmente pela menor ênfase nos diálogos e nas personalidades dos personagens, mas continua sendo uma boa porta de entrada para quem deseja conhecer mais sobre esse canto obscuro do universo Warhammer.
Um combate mais tático e mais tradicional
Se existe uma área onde Mechanicus II realmente busca evoluir, é no combate. O sistema de cobertura ganhou muito mais importância. Posicionamento, linhas de visão e controle de terreno se tornaram fatores decisivos em praticamente todos os confrontos. Isso torna as batalhas mais estratégicas e exige planejamento constante, especialmente nas dificuldades mais elevadas.

Outra mudança importante está no sistema de Cognição. No primeiro jogo, o recurso era coletado diretamente do mapa. Agora, cada unidade contribui para a geração desses pontos através de suas funções em combate, incentivando o uso inteligente de diferentes classes e formações. A mudança torna a gestão de recursos mais orgânica e fortalece a identidade de cada tropa no campo de batalha.
Os Necrons também adicionam uma camada interessante de variedade graças às mecânicas de reanimação e progressão próprias da facção, oferecendo abordagens completamente diferentes das utilizadas pelo Mechanicus.
No início, todas essas novidades tornam as batalhas extremamente envolventes. Porém, conforme a campanha avança, alguns problemas começam a surgir.
Mais opções, menos profundidade
Embora o combate seja sólido, existe uma sensação constante de que Mechanicus II prefere jogar pelo seguro.
Após encontrar combinações eficientes de unidades e habilidades, as batalhas começam a se repetir com frequência. Muitas missões acabam seguindo padrões semelhantes, reduzindo a necessidade de adaptação e experimentação. Diversos críticos e jogadores apontaram justamente essa repetição como um dos maiores problemas da experiência.

A camada estratégica fora dos combates também sofre com isso. O gerenciamento planetário parece promissor inicialmente, mas raramente gera pressão suficiente para obrigar o jogador a tomar decisões difíceis. Em vários momentos, a sensação é de navegar por menus em vez de administrar uma guerra em escala galáctica.
Outro ponto que pode dividir opiniões é a redução da liberdade encontrada no primeiro Mechanicus. A progressão é mais linear, as missões são mais direcionadas e a personalização dos líderes perdeu parte da profundidade que ajudava a tornar cada campanha única.
Atmosfera continua sendo um dos maiores destaques
Se existe algo que a série continua fazendo com excelência é capturar a essência de Warhammer 40K. As unidades são detalhadas, os cenários transmitem toda a grandiosidade decadente do universo criado pela Games Workshop e a direção artística continua impressionante. Os Necrons possuem uma presença ameaçadora constante, enquanto o Adeptus Mechanicus mantém aquele visual característico de sacerdotes tecnológicos fanáticos.
A ambientação permanece como um dos maiores atrativos da experiência, especialmente para os fãs da franquia.
Infelizmente, a trilha sonora não alcança o mesmo nível quase lendário do primeiro jogo. Ela continua competente, mas perde parte da identidade marcante que ajudou a transformar o original em um clássico cult entre os fãs de estratégia. Alguns veículos e jogadores também relataram problemas de otimização e bugs ocasionais na versão de lançamento.
Devo comprar?
Warhammer 40000: Mechanicus II é uma sequência competente que amplia a escala do original e entrega mais conteúdo para os fãs do universo 40K. A inclusão dos Necrons como facção jogável, as melhorias no combate e a reformulação do sistema de recursos tornam a experiência mais acessível e estratégica.
Ao mesmo tempo, o jogo raramente demonstra a mesma ousadia do primeiro Mechanicus. A campanha mais linear, a repetição das batalhas no longo prazo e a simplificação de alguns sistemas fazem com que a sequência pareça segura demais para um universo tão rico em possibilidades.
Ainda assim, para quem gosta de estratégia por turnos e especialmente para os fãs de Warhammer 40K, existe muito valor aqui. Talvez não seja a evolução definitiva que muitos esperavam, mas continua sendo uma guerra digna do Omnissiah.
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