Poucos RPGs envelheceram tão bem quanto Final Fantasy X. Lançado originalmente para PlayStation 2 em 2001, o jogo marcou uma geração com sua narrativa emocionante, personagens memoráveis e um dos melhores sistemas de combate da franquia.
Já Final Fantasy X-2 seguiu um caminho completamente diferente, apostando em uma aventura mais leve e um sistema de batalhas extremamente dinâmico. Reunidos em Final Fantasy X/X-2 HD Remaster, ambos continuam formando um pacote de altíssimo nível – que agora também se encontra no Switch 2.
Embora a coletânea não traga mudanças profundas em relação à versão do primeiro Switch, revisitar Spira com performance aprimorada na palma da sua mão pode ser o suficiente para justificar essa compra.
Uma das melhores histórias da série
O grande destaque continua sendo Final Fantasy X. A jornada de Tidus e Yuna permanece tão envolvente quanto há mais de vinte anos. O mundo de Spira possui identidade própria, mistura religião, tradição e sacrifício de maneira muito interessante e serve de palco para uma história repleta de reviravoltas e momentos emocionantes.

O elenco também continua excelente. Cada integrante do grupo recebe tempo suficiente para se desenvolver e o relacionamento entre Tidus e Yuna permanece como o centro emocional da aventura. É uma narrativa que consegue equilibrar momentos leves, humor e drama sem perder o foco principal.
Já Final Fantasy X-2 adota uma abordagem completamente diferente. A atmosfera descontraída e o foco em Yuna, Rikku e Paine dividem opiniões, especialmente para quem esperava uma continuação com o mesmo tom dramático do primeiro jogo.
Ainda assim, a sequência expande o universo de Spira de maneira interessante e mostra como o mundo mudou após os acontecimentos do original. Não é para qualquer um e definitivamente não é um jogo memorável, mas também não é de se jogar fora.
Dois excelentes sistemas de combate
Apesar de compartilharem o mesmo universo, os dois jogos oferecem experiências bastante diferentes.
Final Fantasy X apresenta um combate por turnos que continua entre os melhores da franquia. A possibilidade de trocar integrantes da equipe durante as batalhas, explorar fraquezas dos inimigos e desenvolver os personagens através do Sphere Grid cria um sistema estratégico que permanece moderno até hoje.

Já Final Fantasy X-2 abandona esse ritmo mais cadenciado e resgata uma versão evoluída do Active Time Battle. O destaque fica para o sistema de Dresspheres, que permite trocar de classe durante os combates. Essa mecânica torna as batalhas muito mais rápidas e flexíveis, sendo considerada por muitos um dos melhores sistemas de combate já criados pela Square Enix.
Curiosamente, enquanto a história de X-2 deixa muito a desejar, sua jogabilidade compensa oferecendo mais liberdade estratégica. Como jogo, ele acaba surpreendendo – mas como sequência de FFX, não.
Spira renovada
Se tratando do mesmo remaster lançado em 2014, o trabalho de remasterização continua bacana. Os personagens receberam novos modelos, texturas foram aprimoradas e as cenas pré-renderizadas continuam impressionantes.
É evidente que a base ainda pertence à era do PlayStation 2, mas o trabalho de atualização consegue preservar o charme original sem descaracterizar a direção artística. Contudo, o rosto dos personagens é um ponto sensível, pois definitivamente causam uma estranheza em relação ao original.
Outro ponto positivo é a trilha sonora. Em Final Fantasy X, é possível escolher entre as músicas originais e os arranjos remasterizados, ambos de excelente qualidade. As composições continuam sendo parte fundamental da identidade da aventura e ajudam diversos momentos emocionais a permanecerem tão marcantes quanto eram duas décadas atrás.

No Switch 2, a experiência portátil combina perfeitamente com o ritmo dos dois RPGs. São jogos longos, divididos em diversas áreas e batalhas rápidas, tornando muito natural avançar alguns minutos durante viagens ou pequenas pausas no dia a dia.
O jogo está nitidamente mais fluido no console, mas em termos de visual, o upgrade é mínimo. Estamos falando de um título lançado originalmente no PS2 que já estava bem bonito no primeiro Switch. O único salto possível era em performance.
Nem tudo envelheceu da mesma forma
Apesar das inúmeras qualidades, alguns aspectos revelam claramente a idade dos jogos. O maior problema continua sendo a ausência da opção de pular cenas em Final Fantasy X.
Como diversas sequências narrativas são bastante longas, revisitar determinados trechos pode se tornar cansativo, principalmente para quem pretende enfrentar chefes opcionais ou repetir partes da campanha.
A estrutura de exploração também denuncia suas origens. Muitos cenários seguem corredores lineares e algumas animações e expressões faciais já não impressionam como antes. São limitações compreensíveis para títulos lançados há mais de 20 anos, mas que ainda podem causar estranhamento para novos jogadores.

No caso de Final Fantasy X-2, o maior obstáculo continua sendo a narrativa. A mudança brusca de tom em relação ao primeiro jogo e o grande foco em missões secundárias fazem com que a continuação pareça menos impactante, mesmo contando com um excelente sistema de combate.
Vale a pena?
Final Fantasy X/X-2 HD Remaster continua sendo uma coletânea obrigatória, especialmente o primeiro jogo. Estamos falando de um dos melhores Final Fantasy da série principal, que segue demonstrando certa superioridade com mais de 20 anos nas costas.
A remasterização não corrige todas as limitações herdadas dos originais, mas reúne duas aventuras enormes, mais de uma centena de horas de conteúdo e uma adaptação portátil ainda mais competente no Switch 2. Uma pena que não existe a opção de adquirir um upgrade separado, forçando aqueles que já possuem a versão do Switch a comprar novamente.
Para quem nunca visitou Spira, me arrisco a dizer que esta é a melhor porta de entrada para um dos períodos mais marcantes da história de Final Fantasy – em modo portátil com performance “maximizada”. Contudo, no caso de quem já tem o jogo no Switch 1, acaba não valendo a pena comprá-lo novamente apenas para obter alguns frames adicionais na performance.
