A franquia Alien sempre encontrou nos videogames um terreno fértil para explorar diferentes propostas. Enquanto Alien: Isolation apostou no terror e na vulnerabilidade, Aliens: Fireteam Elite transformou os Xenomorfos em alvos de um frenético jogo de tiro cooperativo. Agora, sua sequência retorna maior em alguns aspectos, mas ainda presa às principais limitações do título anterior.
Aliens: Fireteam Elite 2 não é necessariamente um jogo ruim. Reunir alguns amigos e enfrentar enormes ondas de criaturas continua rendendo momentos divertidos, especialmente quando o caos toma conta da tela. O problema é que essa diversão depende muito mais das pessoas ao seu lado do que daquilo que o jogo realmente oferece.
Uma nova caçada aos Xenomorfos
Ambientada cinco anos após o primeiro jogo, a campanha acompanha um grupo de Fuzileiros Coloniais enviado ao planeta minerador LV-558 após um pedido de socorro. Como era possível imaginar, a missão rapidamente revela uma infestação de Xenomorfos e novos experimentos conduzidos pela sempre suspeita Weyland-Yutani.

A narrativa utiliza elementos conhecidos da franquia para conduzir o esquadrão por colônias abandonadas, instalações industriais, minas subterrâneas e naves repletas de corredores escuros. São 15 missões distribuídas por diferentes regiões, formando uma campanha que pode ser concluída em aproximadamente dez horas.
Apesar de funcional, a história nunca consegue ir muito além de servir como justificativa para levar os jogadores de uma batalha para outra. Os personagens são pouco interessantes, os diálogos se prolongam mais do que deveriam e o tom nem sempre combina com a atmosfera opressiva de Alien. Até mesmo acontecimentos que deveriam transmitir perigo acabam perdendo força pela maneira pouco envolvente como são apresentados.
Melhor acompanhado
A principal mudança da sequência está na ampliação dos esquadrões, que agora comportam quatro jogadores. Aliens: Fireteam Elite 2 foi claramente desenvolvido pensando nessa experiência cooperativa, permitindo que diferentes classes combinem habilidades para sobreviver às investidas inimigas.
Entre as opções estão personagens voltados ao suporte, dano, controle de área e uso de equipamentos especiais. Cada classe possui armas, habilidades e vantagens próprias, abrindo espaço para diferentes composições dentro da equipe. Posteriormente, também é possível desbloquear a classe Especialista, que permite combinar recursos adquiridos em outras categorias e montar um personagem mais próximo do estilo desejado.

O sistema de progressão é uma das partes mais interessantes do jogo. Habilidades e modificadores precisam ser posicionados em uma grade com espaço limitado, incentivando o jogador a pensar com cuidado antes de montar sua configuração. Armas também podem receber acessórios e melhorias, enquanto novos equipamentos, itens cosméticos e vantagens são liberados conforme a progressão.
Na prática, porém, grande parte dessa profundidade não é exigida durante a campanha. As missões raramente apresentam objetivos que realmente obriguem os quatro jogadores a trabalhar de maneira coordenada. Na maioria das vezes, basta avançar pelos cenários, ativar algum terminal e defender uma posição enquanto ondas de inimigos surgem de diferentes direções.
Ainda é possível jogar sozinho, preenchendo as vagas disponíveis com companheiros controlados pela inteligência artificial. Eles cumprem sua função nas dificuldades mais baixas, mas não substituem uma equipe formada por jogadores reais. Sem amigos, a repetição fica ainda mais evidente e a experiência perde rapidamente boa parte de sua graça.
A repetição aparece cedo
O combate em terceira pessoa possui bons momentos. As armas transmitem uma sensação satisfatória de impacto, os efeitos sonoros ajudam a reproduzir a identidade dos filmes e ver dezenas de Xenomorfos avançando pelas paredes e pelo teto entrega exatamente o espetáculo esperado de um jogo inspirado em Aliens.
A variedade de inimigos também inclui diferentes espécies de Xenomorfos, androides e outras criaturas relacionadas ao universo da franquia. Alguns adversários especiais exigem atenção, principalmente quando atacam em conjunto ou conseguem separar um integrante do restante do esquadrão.

O problema está na estrutura das missões. Aliens: Fireteam Elite 2 repete constantemente o mesmo ciclo: caminhar por corredores, eliminar pequenos grupos, chegar a uma área mais aberta e sobreviver a novas ondas. O cenário muda, aparecem inimigos diferentes e algumas condições são alteradas, mas o ritmo permanece praticamente o mesmo durante toda a campanha.
Depois de poucas horas, o jogo já mostrou quase tudo o que tem para oferecer. Os confrontos deixam de causar tensão e passam a parecer tarefas mecânicas, especialmente quando inimigos mais resistentes absorvem uma quantidade exagerada de disparos. As missões poderiam explorar objetivos mais elaborados, incentivar a divisão do esquadrão ou criar situações que aproveitassem melhor a presença de quatro jogadores.
Existe ainda um modo Horda e cartas de desafio capazes de modificar algumas condições das partidas, aumentando a dificuldade ou oferecendo vantagens e recompensas diferentes. São recursos que acrescentam alguma longevidade, mas não resolvem a falta de variedade presente no núcleo da experiência.
Uma evolução modesta
Visualmente, Aliens: Fireteam Elite 2 consegue reproduzir locais reconhecíveis e interessantes da franquia. A iluminação, os efeitos e a quantidade de criaturas na tela ajudam a construir bons momentos, enquanto a trilha sonora e o design de áudio contribuem para a sensação de estar participando de uma verdadeira caçada aos Xenomorfos.
Por outro lado, animações pouco naturais, personagens humanos sem muita expressão e problemas técnicos prejudicam a apresentação. Embora a sequência apresente melhorias nas classes, nos equipamentos e na quantidade de participantes, a sensação é de uma evolução modesta diante de um primeiro jogo que já precisava ampliar consideravelmente sua fórmula.

A ausência de localização em português do Brasil também pesa contra o lançamento. Além de menus, habilidades e descrições importantes para a montagem das classes, o jogador precisa acompanhar diálogos e informações da campanha sem suporte ao nosso idioma. Para um título baseado em progressão e cooperação, essa ausência cria uma barreira completamente desnecessária para o público brasileiro.
Essa limitação se torna ainda mais difícil de ignorar diante do preço cobrado. O conteúdo oferecido, a campanha relativamente curta e a estrutura extremamente repetitiva não justificam o investimento atual, principalmente em um gênero que já conta com alternativas mais completas, variadas e acessíveis.
Devo comprar?
Aliens: Fireteam Elite 2 cumpre sua proposta básica de reunir quatro jogadores contra hordas de Xenomorfos, oferecendo armas satisfatórias, boas opções de classes e alguns momentos de caos genuinamente divertidos. Quem gosta da franquia e possui um grupo disposto a encarar a campanha certamente encontrará algumas noites de diversão.
Entretanto, o jogo pouco faz para construir uma identidade própria ou superar as limitações de seu antecessor. As missões repetitivas, a campanha pouco marcante, a experiência solo fraca, a ausência de português do Brasil e o preço elevado para aquilo que é oferecido impedem que a sequência alcance algo maior.
Com amigos, Aliens: Fireteam Elite 2 pode divertir durante algumas horas. Fora disso, resta um shooter cooperativo bastante genérico e esquecível, que termina sem deixar muitos motivos para retornar.
