Depois de quase duas décadas longe dos consoles, Onimusha finalmente está de volta – e que retorno! Em Way of the Sword, a Capcom mostra que entendeu exatamente o que tornou a série especial: combates rápidos e violentos, samurais, criaturas sobrenaturais e uma forte conexão com a história e cultura japonesa.
Nesta nova aventura, assumimos o controle do lendário samurai Miyamoto Musashi, apresentado aqui como um jovem que carrega a misteriosa Manopla Oni e enfrenta os Genma em uma versão sobrenatural de Kyoto durante o período Edo. O protagonista tem a aparência do ator japonês Toshiro Mifune, reforçando a ligação do jogo com os filmes clássicos de samurais.
Desde o princípio, Way of the Sword já demonstra uma característica importante: ele não está interessado em transformar Onimusha em outra coisa. A Capcom modernizou o combate e a apresentação, mas preservou a identidade que diferenciava a franquia. É exatamente disso que a franquia precisava após passar tantos anos longe dos holofotes.
Trilhando o caminho da espada
Se existe um motivo para ficar animado com Way of the Sword, é o combate. A estrutura básica é familiar: Musashi possui ataques leves e pesados, pode esquivar, bloquear e realizar diferentes tipos de contra-ataques. A diferença está na importância do timing.

Executar uma esquiva no último instante pode fazer Musashi deslizar para trás do inimigo, criando uma oportunidade imediata de contra-atacar. Já um parry perfeitamente sincronizado pode carregar um medidor utilizado para liberar golpes especiais extremamente poderosos.
Existe ainda a possibilidade de atacar o inimigo durante uma pequena janela antes dele acertar o golpe. É uma mecânica arriscada, mas que recompensa quem conhece os padrões dos adversários e tem confiança para permanecer no alcance deles.
Isso faz com que o jogador tenha várias maneiras de lidar com uma mesma situação. É possível simplesmente atacar, esperar o momento correto para aparar ou tentar uma esquiva perfeita. Quanto mais o jogador aprende, mais possibilidades surgem.
A sensação de impacto também é um grande acerto. As espadas atravessam os inimigos com golpes rápidos e violentos, enquanto as habilidades da manopla adicionam uma camada sobrenatural ao combate.
Hoje em dia, a maior referência de combate samurai nos games é Ghost of Tsushima/Yotei – até agora! Onimusha chegou para provar que a Capcom sabe fazer melhor e não está para brincadeira.
Manopla Oni no centro das coisas
Os inimigos derrotados deixam diferentes tipos de almas, recuperadas por Musashi através da Manopla Oni. É uma mecânica diretamente ligada à tradição da franquia, mas continua funcionando porque cria uma decisão constante durante as batalhas. O jogador precisa prestar atenção às almas espalhadas pelo campo e decidir como utilizá-las.

Esse sistema também ajuda a conectar exploração, combate e progressão. Enfrentar inimigos não serve apenas para avançar: as batalhas alimentam diretamente as ferramentas que Musashi utilizará nas próximas.
Os próprios inimigos também podem roubar suas almas – e quando isso acontece, eles ficam mais poderosos. Isso cria uma camada de estratégia inédita nos combates, nos deixando constantemente preocupados em sugar as almas o quanto antes.
Enfrentar inimigos comuns é legal, mas logo fica repetitivo e um tanto fácil. O verdadeiro sabor do combate está nas batalhas contra chefes, que são sempre intensas, cinematográficas e com sequências de tirar o fôlego.
Essas batalhas funcionam como uma espécie de “prova” das habilidades adquiridas. A dificuldade vem da compreensão dos sistemas e não simplesmente de inimigos apelões. Ao dominar as mecânicas, você consegue humilhar qualquer chefe do jogo – mas quem não está familiarizado com elas com certeza vai levar uma surra.
Embora o sistema de combate tenha profundidade suficiente para agradar jogadores experientes, Way of the Sword não tenta afastar quem não domina jogos de ação.
A Capcom oferece diferentes níveis de dificuldade, incluindo um Story Mode pensado para quem prefere acompanhar a narrativa sem enfrentar desafios tão exigentes. Ainda será necessário ter um bom entendimento das mecânicas, mas o jogo não será tão punitivo quanto seria nas demais dificuldades.

Essa decisão é especialmente importante para uma franquia que retorna depois de aproximadamente 20 anos. Há jogadores veteranos esperando uma experiência difícil, mas também existe uma nova geração que nunca jogou Onimusha. O jogo atende aos dois grupos.
Turismo por Kyoto
A ambientação é outro ponto em que Way of the Sword chama atenção. A aventura acontece na Kyoto do período Edo, mas a cidade não serve apenas como pano de fundo para os combates. A Capcom mistura arquitetura, costumes e referências da cultura japonesa com elementos sobrenaturais, criando uma versão fantástica do Japão histórico.
O mapa vai sendo desbloqueado gradativamente e, apesar de não ser grande, traz uma área suficientemente ampla para se perder pelos seus becos. No demais, todas as outras regiões exploradas são lineares e bem curtinhas.
Musashi também é menos sisudo do que alguns protagonistas de histórias de samurai, sendo praticamente um “Jack Sparrow” que sabe manusear katanas. Seus comentários e interações com os espíritos adicionam um pouco de humor à aventura, criando um contraste interessante com o horror presente em determinadas situações.
Esse é outro ponto forte do jogo: a atmosfera de Way of the Sword alterna entre aventura, ação e terror. Não estamos falando de um nível de horror que beira Resident Evil, mas sim de uma jornada que retrata criaturas e inimigos malignos de uma forma bem explícita.

Esse conceito combina perfeitamente com a identidade de Onimusha. A série nunca foi simplesmente sobre samurais históricos: seus personagens sempre estiveram presos entre o Japão feudal e uma ameaça demoníaca. A nova aventura entende essa mistura e não abandona nenhum dos lados.
Equilíbrio é tudo
Way of the Sword nos ganha logo de cara, mas não é impossível que sua fórmula se torne enjoativa após algumas horas. Sabendo disso, a Capcom soube equilibrar perfeitamente a campanha, trazendo uma aventura que não é muito longa e consegue nos manter interessados até o final.
Quem optar por fazer todas as sidequests e objetivos opcionais vai terminar tudo em cerca de 25 horas. Não é muito para os padrões atuais, mas é o ideal. O jogo ainda vai introduzindo novos poderes e mecânicas aos poucos, o que ajuda a renovar o gameplay para não cair na mesmice.
Até mesmo a dificuldade é bem equilibrada. Conforme avançamos, os upgrades vão tornando Musashi bem overpower, tornando combates contra inimigos comuns ridiculamente fáceis. Contudo, as ruas de Kyoto também vão sendo tomadas por Genma mais perigosos, então sua vida nunca será tranquila.
Onimusha: Way of the Sword tinha uma missão complicada: reviver uma franquia adormecida sem transformá-la em algo irreconhecível. Felizmente, deu tudo certo!
O combate é o maior trunfo, acompanhado de uma excelente ambientação e um protagonista excessivamente carismático – o que acaba destoando bastante da carranca de Samanosuke da trilogia original.
Way of the Sword é facilmente um dos melhores jogos do ano e, acima de tudo, é o retorno perfeito de uma franquia muito amada. A Capcom está com tudo e a qualidade desse jogo apenas reforça que todas suas franquias que estão sendo revividas terão um tratamento tão especial quanto.
