Yuji Horii, criador da franquia Dragon Quest, revelou um novo jogo desenvolvido com ajuda de inteligência artificial em aproximadamente 30 minutos. O projeto, chamado Interrogation Room Komiya, é uma aventura textual na qual o jogador precisa interrogar um suspeito e encontrar contradições em suas respostas.
O desenvolvedor japonês compartilhou a novidade nas redes sociais e comparou o processo com seu trabalho em The Portopia Serial Murder Case, jogo de investigação lançado em 1983. Na época, Horii cuidou sozinho de diferentes etapas da produção, incluindo história, ilustrações e programação.
Agora, o designer aponta que a inteligência artificial permite alcançar um resultado semelhante com muito menos trabalho técnico. Ele explicou que basta fornecer instruções à ferramenta para criar um jogo razoável, mesmo sem dominar desenho ou programação.
Horii classificou a tecnologia como “verdadeiramente impressionante”, destacando a rapidez com que uma ideia pode se transformar em uma experiência jogável. Ainda assim, a iniciativa não é bem vista na comunidade de desenvolvedores e jogadores.
Em Interrogation Room Komiya, o jogador assume o papel de alguém responsável por interrogar um suspeito de 72 anos chamado Komiya. O objetivo é conseguir uma confissão antes que um advogado chegue às 23h.
Para isso, é necessário identificar contradições nas declarações do suspeito, apresentar evidências e escolher perguntas capazes de pressioná-lo. Ao mesmo tempo, o jogador precisa administrar o nível de agitação e resistência do interrogado para evitar que a conversa saia do controle.
A proposta resgata elementos de jogos de investigação textual, gênero que tem relação direta com parte da trajetória de Horii. O desenvolvedor ganhou destaque justamente com The Portopia Serial Murder Case, considerado uma obra importante para a evolução dos jogos de aventura e mistério no Japão.

Apesar da rapidez na criação, o novo projeto não representa necessariamente o mesmo nível de complexidade de um jogo comercial de grande orçamento. A experiência funciona principalmente como uma demonstração do potencial da IA para transformar instruções em um protótipo jogável.
A experiência não é a primeira vez que Horii demonstra entusiasmo com a inteligência artificial. O criador já comentou anteriormente sobre a possibilidade de utilizar chatbots em jogos de perguntas e respostas ou investigações, permitindo que os jogadores conversem com sistemas inteligentes para solucionar mistérios.
A tecnologia também desperta interesse na Square Enix, empresa responsável por Dragon Quest. A companhia vem explorando aplicações de IA em seus projetos, incluindo experiências conversacionais relacionadas à franquia.
