Dragon Quest XI já era uma experiência extremamente completa quando chegou ao ocidente em 2018. A aventura do Luminary combinava uma história tradicional de fantasia, personagens carismáticos, combate por turnos e um enorme mundo em uma produção que preservava as raízes da franquia sem parecer ultrapassada.
Já a Definitive Edition não se limita a “maquiar” o conteúdo original: ela adiciona recursos, histórias, opções de apresentação e melhorias que tornam a jornada ainda mais robusta. O jogo já estava disponível no primeiro Switch, mas agora temos a oportunidade de experimentá-lo com ainda mais qualidade no Switch 2.
Uma fantasia clássica muito bem contada
A história acompanha Luminary, um jovem destinado a salvar Erdrea de uma grande ameaça. A premissa é deliberadamente familiar: herói escolhido, reino em perigo, companheiros reunidos pelo caminho e uma força maligna que precisa ser derrotada.

O diferencial está na maneira como a aventura desenvolve essa estrutura. Em vez de simplesmente avançar de uma grande batalha para outra, Dragon Quest XI divide sua narrativa em pequenos arcos. Cada cidade apresenta seus próprios conflitos, personagens e problemas que funcionam como histórias independentes, enquanto contribuem para a trama maior.
O ritmo é um dos maiores acertos. Mesmo ultrapassando facilmente 80 horas e podendo chegar às centenas para quem busca fazer tudo, a aventura constantemente apresenta novos lugares, situações e personagens.
O elenco também é fundamental: cada integrante do grupo possui personalidade, passado e habilidades próprios, e o relacionamento entre eles ajudam a transformar uma história aparentemente previsível em uma jornada bastante envolvente.
Combate tradicional, mas extremamente refinado
O sistema de batalha não tenta reinventar o JRPG. Os confrontos são por turnos, com quatro personagens ativos e inimigos visíveis no cenário, eliminando os encontros aleatórios tradicionais.
Essa simplicidade esconde uma boa dose de estratégia. Cada personagem possui diferentes especializações, armas e habilidades, enquanto o sistema de árvores permite distribuir pontos para desenvolver características específicas. Também é possível trocar integrantes durante as batalhas, adaptando o grupo aos desafios encontrados.

O estado Pep acrescenta outra camada às lutas. Personagens podem entrar temporariamente em uma condição fortalecida e, quando combinada com outros integrantes, liberar ataques especiais chamados Pep Powers. Saber quando aproveitar ou preservar esse estado pode fazer diferença nos confrontos mais difíceis.
Outro destaque é a Fun-Size Forge, que permite fabricar e melhorar equipamentos. O sistema funciona como um pequeno minigame no qual o jogador precisa administrar pontos de foco para produzir armas e armaduras melhores. É uma maneira interessante de transformar materiais coletados durante a exploração em recompensas úteis.
O que muda na Definitive Edition e no Switch 2?
A principal novidade é a possibilidade de jogar toda a aventura em 2D, com visual inspirado nos Dragon Quest clássicos de 16 bits. Não se trata apenas de um filtro visual: mapas, interface e apresentação foram adaptados para funcionar como um “demake” completo do jogo.
Também é possível visitar versões em 2D de áreas relacionadas aos 10 jogos anteriores da série principal por meio do conteúdo de Tickington, criando uma espécie de homenagem interativa à história de Dragon Quest.
Contudo, a proposta tem algumas limitações. O modo 2D elimina a dublagem das cenas e reduz parte da verticalidade das cidades. Além disso, o combate retorna a uma estrutura mais tradicional, na qual as ações do grupo são definidas de maneira diferente. Por isso, ele funciona melhor como uma segunda experiência do que como a maneira ideal de conhecer o jogo pela primeira vez.
A Definitive Edition também adiciona novos capítulos focados individualmente nos integrantes do grupo. Essas histórias ajudam a aprofundar personagens que já eram importantes na campanha principal e preenchem alguns espaços deixados pela narrativa original. Esses episódios também melhoram alguns arcos que eram menos desenvolvidos na versão anterior.

Outra mudança importante está na música. A versão original utilizava uma apresentação MIDI em determinados lançamentos, enquanto a Definitive Edition oferece trilha sonora orquestrada, executada pela Tokyo Metropolitan Orchestra. Também é possível escolher entre as diferentes versões disponíveis.
A edição definitiva também inclui dual audio, permitindo alternar entre as vozes em inglês e japonês. Para quem prefere acompanhar a aventura com o elenco japonês, é uma opção importante que não estava disponível da mesma maneira na versão original ocidental.
Há ainda uma série de ajustes menores que tornam a campanha mais confortável. Entre eles estão melhorias na movimentação, opções de velocidade das batalhas, ajustes de balanceamento e outras alterações que reduzem a fricção durante uma aventura tão longa.
O sistema de combate rápido é especialmente útil. Batalhas comuns podem ser aceleradas, enquanto a inteligência artificial permite automatizar determinadas ações dos personagens. Isso reduz bastante o tempo gasto em confrontos contra inimigos mais fracos.
Já as diferenças em relação ao Switch 2 acabam sendo exclusivamente voltadas para estética e performance. O jogo rodava bem no Switch 1, mas trazia alguns downgrades gráficos difíceis de ignorar. Agora, ele roda de forma muito próxima do PS4 no modo portátil, ou seja: esse sim é o jeito ideal de jogar Dragon Quest XI no console da Nintendo!
Um JRPG que não precisa ser revolucionário
Uma das características mais curiosas de Dragon Quest XI é justamente sua resistência à inovação. O jogo não tenta transformar o combate por turnos em ação, não abandona a estrutura tradicional de dungeons e não apresenta uma árvore de habilidades extremamente complexa. Em vez disso, aperfeiçoa elementos conhecidos e cria uma experiência muito bem equilibrada.
Isso também significa que jogadores que procuram uma experiência mais experimental podem considerar a aventura conservadora. A dificuldade padrão, por exemplo, é relativamente baixa, embora as opções Draconian Quest permitam aumentar consideravelmente o desafio desde o início da campanha.

A direção de arte de Akira Toriyama continua sendo um dos grandes destaques. Personagens e monstros têm silhuetas imediatamente reconhecíveis, enquanto Erdrea apresenta ambientes coloridos e variados. Vale lembrar que esse foi o último Dragon Quest da série principal com participação do mestre, então precisamos valorizá-lo ainda mais.
Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition não transforma completamente o RPG original e esse é seu maior acerto. Temos aqui um JRPG enorme, acessível e extremamente consistente.
Para quem nunca jogou Dragon Quest XI, a Definitive Edition reúne a experiência mais completa do jogo em um único pacote. Para veteranos da versão original, a quantidade de conteúdo adicional torna a segunda jornada significativamente diferente, embora o valor de uma nova compra dependa do quanto essas novidades são importantes para você.
Poder aproveitar essa obra-prima no Switch 2 é facilmente a melhor forma de jogá-lo. A Square Enix tem relançado quase todos os seus ports em versões dedicadas ao console e nem todos justificam uma compra nova (como foi o caso de Final Fantasy X, por exemplo). A situação se mostrou bem diferente com Dragon Quest XI.
Dragon Quest XI S mostra por que uma fórmula tradicional ainda pode funcionar muito bem quando todos os seus elementos são executados com cuidado e carinho.
