Depois de mais de 20 anos construindo uma das sagas mais únicas dos videogames, a Square Enix finalmente está trazendo Sora e cia. ao Nintendo Switch 2 da maneira que eles merecem: com os jogos rodando nativamente no console e não em nuvem, como no Switch original.
Kingdom Hearts Collection [I~III] reúne toda a experiência essencial da saga até Kingdom Hearts III, dividida em três pacotes: HD 1.5+2.5 ReMIX, HD 2.8 Final Chapter Prologue e Kingdom Hearts III + Re Mind. É uma quantidade absurda de conteúdo e a melhor forma de se preparar para o quarto jogo, que está cada dia mais próximo.
Uma coleção gigantesca
O primeiro pacote é o mais recheado. Ele traz Kingdom Hearts Final Mix, Kingdom Hearts Re:Chain of Memories, Kingdom Hearts II Final Mix e Birth by Sleep Final Mix. Também estão presentes 358/2 Days e Re:coded, mas apenas como filmes formados por cenas remasterizadas (as versões completas ainda estão presas ao Nintendo DS).
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O segundo pacote inclui Dream Drop Distance HD, 0.2: Birth by Sleep – A Fragmentary Passage e uma adaptação cinematográfica de acontecimentos de Kingdom Hearts χ. Por fim, Kingdom Hearts III aparece acompanhado da expansão Re:Mind.
Dito isso, essa é uma coletânea com centenas de horas de conteúdo, especialmente para quem gosta de fazer tudo que o jogo oferece. Ainda assim, não chega a ser um pacote completo ou definitivo.
358/2 Days e Re:coded continuam sem versões jogáveis modernas, o material de χ está longe de contar toda a história desse arco e Melody of Memory, jogo rítmico que possui acontecimentos posteriores a Kingdom Hearts III, ficou de fora.
Para quem quer apenas conhecer a história principal, isso não chega a ser um grande obstáculo. Para quem deseja acompanhar absolutamente tudo, a coleção ainda exige material externo. Vale lembrar que Kingdom Hearts não possui spin-offs, então todos os jogos contribuem em algum nível para a lore.
Kingdom Hearts I continua especial
Revisitar Kingdom Hearts Final Mix deixa claro por que o primeiro jogo continua tão importante. O gameplay é onde pesa mais: Sora ainda possui movimentos mais pesados e o combate exige um posicionamento e utilização cuidadosa da magia. A estrutura dos mundos também é consideravelmente mais exploratória do que em vários capítulos posteriores.
Novas habilidades permitem retornar a áreas antigas e acessar lugares antes impossíveis de alcançar, criando uma espécie de estrutura metroidvania que dá mais significado à exploração. É um design que envelheceu de maneira surpreendentemente bem.
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Ainda assim, a idade do jogo não mente. Seu “lado plataforma” é bem frustrante, alguns chefes são excessivamente longos e a inteligência artificial de Donald e Pateta pode ser bastante questionável.
Ainda assim, o primeiro Kingdom Hearts continua sendo uma aventura extremamente charmosa e talvez a que melhor equilibra exploração, descoberta e narrativa dentro da coleção.
Chain of Memories é para poucos
Re:Chain of Memories continua sendo o capítulo mais divisivo do pacote inicial. Em vez do combate tradicional, o jogador monta baralhos de cartas para determinar ataques, magias, itens e habilidades.
A curva de aprendizado é elevada, mas existe uma satisfação enorme em compreender suas regras e montar combinações eficientes. O problema é que a transposição do sistema originalmente pensado para o Game Boy Advance para um ambiente tridimensional nem sempre funciona perfeitamente.
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Esse é um jogo “difícil de engolir”, principalmente porque ele é bem difícil quando você não domina seus sistemas. Por outro lado, fica excessivamente fácil quando você sabe o que está fazendo.
Ainda assim, é uma experiência importante para compreender a evolução da narrativa e a introdução da Organização XIII.
Kingdom Hearts II é o grande destaque
Se existe um jogo que justifica sozinho boa parte da coleção, é Kingdom Hearts II Final Mix – para muitos, o ápice da franquia.
O combate continua sendo um dos melhores exemplos de ação em um RPG da Square Enix. Sora se movimenta com enorme fluidez, os combos são rápidos e as Drive Forms acrescentam diferentes estilos de jogo.
Curiosamente, o mundo é uma das maiores fraquezas. Em comparação com o primeiro jogo, Kingdom Hearts II reduz drasticamente a exploração e transforma muitos cenários em corredores lineares.
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Mesmo assim, quando a ação começa, é difícil encontrar defeitos. Em termos de história, ele também é um dos capítulos mais marcantes da franquia.
Birth by Sleep e Dream Drop Distance mostram a experimentação da série
Birth by Sleep é provavelmente um dos capítulos mais importantes para a história. As três campanhas de Terra, Ventus e Aqua permitem observar os mesmos acontecimentos de perspectivas diferentes, enquanto o Command Deck cria uma abordagem mais próxima de um RPG tradicional.
O problema é o excesso de sistemas. Command Styles, Shotlocks, D-Links e fusão de comandos tornam o combate mais complexo, mas nem sempre mais divertido. O balanceamento também não é dos melhores, principalmente no conteúdo pós-jogo.
Dream Drop Distance segue uma filosofia semelhante, mas troca parte dessa estrutura pelo Flowmotion e pelos Dream Eaters. A movimentação é extremamente divertida, permitindo que Sora e Riku atravessem os cenários em alta velocidade, embora o sistema de troca entre protagonistas e o Drop Meter possam interromper o ritmo.
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Sua maior particularidade está no “lado Pokémon”. Os Dream Eaters são criaturas capturáveis que nos auxiliam em combate. Existem várias delas e cada uma tem suas próprias habilidades, adicionando uma camada divertida à estratégia das batalhas.
São jogos que mostram uma característica essencial de Kingdom Hearts: a série nunca teve medo de experimentar, mesmo quando suas ideias nem sempre funcionavam perfeitamente.
0.2 prepara o terreno para Kingdom Hearts III
0.2: Birth by Sleep – A Fragmentary Passage é curto, mas talvez seja um dos conteúdos mais interessantes da coleção para quem gosta de gameplay.
A aventura de Aqua funciona como uma ponte para Kingdom Hearts III e apresenta cenários compactos, combate mais moderno e excelente integração entre exploração e habilidades de movimento.
Por ser uma experiência menor, a Square Enix conseguiu concentrar melhor suas ideias. O resultado é uma das experiências mais consistentes do pacote e uma ótima demonstração do que estava por vir.
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Kingdom Hearts III continua impressionante
Kingdom Hearts III é visualmente o capítulo mais impressionante da coleção e apresenta alguns dos maiores mundos já criados para a franquia. Os cenários da Disney ganharam uma escala enorme, enquanto o combate recebeu Keyblades que podem ser alternadas durante a luta, transformações, Airstepping e uma quantidade muito maior de inimigos.
A exploração também evoluiu bastante. Os mundos possuem tesouros, ingredientes, missões fotográficas, Lucky Emblems e outras atividades que incentivam o jogador a vasculhar os cenários.
O maior problema continua sendo o ritmo da narrativa. Depois de anos de expectativa, o jogo passa muito tempo desenvolvendo as histórias individuais dos mundos Disney antes de concentrar sua atenção na trama principal – e quando chega nos finalmente, não entrega!
A boa notícia é que a versão presente na coleção não é exatamente aquela que chegou ao mercado em 2019. Atualizações posteriores e o DLC Re:Mind melhoraram consideravelmente o combate e o conteúdo de pós-jogo. A expansão também adiciona alguns dos melhores confrontos da franquia.
![Kingdom Hearts Collection [I~III] - Review 41 kingdom hearts collection 1](https://www.portaldonerd.com.br/wp-content/uploads/2026/10/kingdom-hearts-collection-1-1024x576.jpg)
Em termos técnicos, é o melhor que a franquia tem a oferecer até o momento, mas ainda perde para Kingdom Hearts 2 pelo conjunto.
Como está no Switch 2?
Os jogos rodam nativamente no Switch 2, eliminando a necessidade de conexão constante à internet para jogar. Os títulos mais antigos apresentam desempenho bastante sólido, inclusive no modo portátil, enquanto Kingdom Hearts III também consegue entregar uma experiência impressionante, considerando sua escala.
Contudo, há pequenas imperfeições. Temos quedas de quadros no Switch 2, inclusive no modo TV. Também existem pequenos “soluços” em transições e cenas pré-renderizadas nos jogos mais antigos. Nada disso chega perto de comprometer a experiência, mas impede a coleção de ser tecnicamente perfeita.
O verdadeiro destaque está no modo portátil. Jogar essa incrível franquia com tanta qualidade e em qualquer lugar é o que torna a coletânea muito mais valiosa no Switch 2.
Kingdom Hearts Collection [I~III] é a melhor maneira de jogar a saga principal atualmente. A coleção reúne uma quantidade absurda de conteúdo e finalmente transforma Kingdom Hearts em uma experiência nativa em um console moderno da Nintendo.
Nem tudo envelheceu da mesma forma e a ausência de jogos como Melody of Memory impede que o pacote seja realmente definitivo. Ainda assim, é difícil reclamar da quantidade de conteúdo oferecida.
Kingdom Hearts continua sendo uma franquia irregular, exagerada e muito confusa – mas também é criativa, emocionante e única. Finalmente, temos uma versão digna disponível para Nintendo que faz jus a essa identidade.
![Kingdom Hearts Collection [I~III] - Review 34 kingdom hearts collection](https://i0.wp.com/www.portaldonerd.com.br/wp-content/uploads/2026/08/kingdom-hearts-collection.jpg?fit=1200%2C652&ssl=1)