007 First Light marca a estreia da IO Interactive com o agente mais famoso do mundo, Bond, James Bond, e o resultado combina perfeitamente com o histórico do estúdio. Em vez de apostar no espião já experiente e consolidado, o jogo decide contar uma história de origem, em um universo totalmente novo, mostrando um Bond mais jovem, impulsivo e ainda longe de se tornar o lendário 007 que todos conhecemos.
E honestamente, essa escolha funciona muito bem. Ao invés de simplesmente tentar recriar os filmes clássicos ou repetir fórmulas já conhecidas da franquia, a IO Interactive usa essa liberdade para construir uma versão mais humana e inexperiente do personagem. Aqui, Bond ainda está aprendendo como agir em campo, cometendo erros, improvisando situações e tentando provar que merece fazer parte do programa 00. Isso acaba dando um tom diferente para a narrativa de 007 First Light, que mistura espionagem clássica, conspirações políticas e aquele clima cinematográfico típico da franquia, mas sem depender apenas da nostalgia para funcionar.
A origem de um novo Bond

Em 007 First Light, a trama acompanha Bond, James Bond, um ex-aviador naval que acaba entrando para o MI6 após um ato heroico lhe garantir uma vaga no recém-reativado programa 00. Ainda inexperiente e longe de se tornar o agente lendário que todos conhecem, Bond precisa provar seu valor logo no primeiro ano dentro da agência.
O que começa como uma missão para capturar um agente rebelde rapidamente se transforma em algo muito maior, envolvendo conspirações políticas, traições e intrigas governamentais espalhadas por diferentes partes do mundo. A narrativa constantemente coloca o protagonista em situações perigosas, onde nem sempre fica claro em quem confiar.
O mais interessante é justamente como 007 First Light consegue capturar aquele clima clássico dos filmes de espionagem, mas com um toque mais moderno. Existem boas reviravoltas, momentos de tensão bem construídos e aquele sentimento constante de que tudo pode dar errado a qualquer momento. Mesmo sendo uma história inédita, ela consegue carregar perfeitamente a identidade clássica de James Bond.
Um Bond mais humano

Diferente da figura extremamente fria e experiente que normalmente vemos nos filmes, 007 First Light aposta em um Bond mais inexperiente, emocional e em um início de carreira como agente secreto. Ele ainda está aprendendo como agir em campo e isso aparece tanto na narrativa quanto na jogabilidade.
O elenco ajuda bastante nisso. Personagens clássicos do universo de 007 como M, Moneypenny e Agente Q retornam com novas caras e interpretações, enquanto rostos inéditos como John Greenway, Monroe e Cressida ajudam a construir essa nova fase do personagem. Greenway, em especial, funciona muito bem como uma espécie de mentor, constantemente entrando em conflito com o comportamento imprudente do protagonista.
A relação entre os personagens é um dos pontos que mantém a campanha interessante durante boa parte do tempo. Existe um equilíbrio muito bom entre os momentos de ação e os diálogos mais políticos ou investigativos.
Hitman encontra Uncharted

A jogabilidade de 007 First Light mistura claramente duas grandes inspirações: Hitman e Uncharted. Em alguns momentos, o jogo aposta em exploração, infiltração e liberdade de abordagem; em outros, ele abraça completamente o lado cinematográfico das perseguições e explosões.
As missões geralmente oferecem múltiplas formas de completar objetivos. É possível agir furtivamente, usar gadgets para manipular o ambiente, blefar para enganar guardas ou simplesmente partir para o confronto direto. Essa liberdade adiciona bastante fator replay, principalmente para quem gosta de experimentar abordagens diferentes.
Os equipamentos criados pelo Q também ajudam bastante a expandir as possibilidades. O relógio multifuncional oferece gadgets variados, como hackeamento, pequenos mísseis, câmeras de choque, dardos especiais e outros itens. A limitação de apenas três equipamentos por missão acaba funcionando bem, forçando o jogador a pensar antes de entrar em campo.
Permissão para matar

O combate corpo-a-corpo é simples, mas funciona bem dentro da proposta, seguindo um sistema de ataques e contra-ataques que lembra bastante a série Batman Arkham, embora aqui seja um pouco menos refinado. Já os tiroteios apostam em uma mistura de caos e estratégia, exigindo mais atenção do jogador do que simplesmente sair atirando em tudo pela frente.
Como Bond ainda não possui oficialmente o título de 00, o jogo tenta justificar narrativamente porque ele não pode simplesmente eliminar qualquer suspeito ou informante durante as missões. Mas quando a ação realmente começa, quando temos a permissão para matar, fica claro que ele está longe de ser um exército de um homem só. Poucos tiros já são suficientes para derrubar o protagonista, obrigando o jogador a usar cobertura constantemente, explorar o cenário e agir rápido durante os confrontos. Isso deixa as sequências de ação mais tensas e bem mais empolgantes, principalmente nas dificuldades mais altas.
As perseguições de carro também cumprem bem o papel cinematográfico e ajudam a reforçar o clima de filme de espionagem. O problema é que elas acabam sendo extremamente roteirizadas, oferecendo pouca liberdade para o jogador. São momentos divertidos visualmente, mas que funcionam mais como cenas interativas do que como uma mecânica realmente aprofundada.
Um começo um pouco travado

Se existe um problema mais perceptível em 007 First Light, ele está nas primeiras duas horas do game. O jogo demora um pouco para realmente engrenar, já que boa parte do início é extremamente guiada, com muitos tutoriais e cheia de momentos scriptados.
A IO Interactive claramente tenta apresentar personagens, sistemas e narrativa com bastante cuidado, mas isso acaba segurando demais a liberdade do jogador. Felizmente, a situação melhora bastante quando as primeiras grandes missões de campo começam, e é ali que o jogo finalmente mostra sua verdadeira identidade.
Trilha sonora digna de cinema

A trilha sonora de 007 First Light faz um excelente trabalho em capturar a essência clássica de James Bond. O tema tradicional aparece em vários momentos importantes, acompanhado de novas composições que mantêm aquele clima elegante e misterioso característico da franquia.
O grande destaque fica para “First Light”, música original criada por Lana Del Rey e David Arnold para a abertura do jogo. A sequência inicial inteira abraça totalmente o estilo clássico dos filmes de Bond, entregando uma introdução cinematográfica como nos filmes.
Considerações finais

007 First Light não reinventa os jogos de espionagem, mas entende perfeitamente o que faz James Bond funcionar. A mistura entre infiltração, ação cinematográfica e conspirações criam uma aventura envolvente e cheia de personalidade. Mesmo com um início mais guiado e algumas sequências roteirizadas, o jogo compensa com ótimos personagens, missões variadas e uma atmosfera digna dos melhores filmes da franquia. E sinceramente, depois de tantos anos sem um grande jogo do agente secreto, é muito bom ver James Bond finalmente recebendo uma adaptação que realmente parece entender quem ele é.
A review de 007 First Light foi realizada com uma cópia cedida pela IO Interactive.
Distribuidora: IO Interactive
Desenvolvedor: IO Interactive
Gênero: Ação
Disponível para: PlayStation 5, Xbox Series e PC.
Data de lançamento inicial: 27 de maio de 2026
