8.0

8

Avaliação Geral

História
7.0
Gráficos
10.0
Trilha Sonora
8.0
Mecânicas
9.0
O bom
  • Modo campanha
  • Mapas e personagens de todos os filmes
  • Sistema de classes
  • Modo Arcade com desafios extras
  • Cenários e batalhas galácticas surreais
O mau
  • História clichê e superficial
  • Uso e abuso das loot boxes
  • Dublagem em pt-br deixa a desejar em alguns personagens

É mais um ano de Star Wars. Com a data de lançamento do episódio VIII nos cinemas se aproximando cada vez mais, a EA não podia perder a oportunidade de lançar mais um AAA voltado para o universo do jogo. E por que não investir em uma sequência para Battlefront, focando em todos os pedidos dos fãs que não ficaram tão satisfeitos com o primeiro? Foi exatamente esse o pensamento dos desenvolvedores na hora de tentar angariar novamente Battlefront como um dos principais shooters da atualidade, e o resultado foi um jogo cheio de potencial e ao mesmo tempo extremamente polêmico.

A fórmula para Battlefront II foi simples: os fãs exigiram uma campanha, considerando que o primeiro era focado totalmente no multiplayer. Os fãs exigiram personagens e mapas de todos os filmes lançados até aqui, incluindo o episódio VII. Os fãs exigiram menos conteúdo pago e mais recompensas dentro do jogo. O resultado? Tudo isso foi atendido em partes, mas ao mesmo tempo que todas essas exigências foram ouvidas, tudo veio com um preço muito alto a se pagar, literalmente.

Eis a campanha que todos queriam… ou quase

A primeira grande novidade de Battlefront II é o modo campanha, que realmente deixou um buraco no primeiro título, pois o jogo se mostrou incapaz de se sustentar apenas com o multiplayer. O modo história se passa entre o final do episódio VI – O Retorno do Jedi e o começo do episódio VII – O Despertar da Força, e nele controlaremos a Comandante Iden Versio, líder do Esquadrão Inferno, uma equipe de elite focada em operações especiais do Império Galáctico.

Os cenários do filme são retratados com perfeição

Já de imediato duas coisas já chamam nossa atenção para o lado positivo: a protagonista é uma mulher, seguindo a onda da nova trilogia, e jogaremos pelo lado do Império, o que sai bastante do que estamos acostumados a ver, afinal sempre somos os mocinhos. A campanha explora um lado até então nunca visto, desde que a nova trilogia foi iniciada e todo o universo expandido foi invalidado. O jogo se inicia com a destruição da segunda Estrela da Morte e a morte do Imperador, e segue até os eventos iniciais de o Despertar da Força, então tudo que jogaremos é focado em um enredo totalmente novo, e por conta disso os roteiristas tiveram uma certa liberdade criativa. Mas será que isso deu certo mesmo?

A história tinha potencial, a protagonista é boa e tem certos conflitos internos interessantes, e a representação de cada batalha é feita de uma maneira excelente, ainda mais considerando os gráficos surreais do game. Porém, infelizmente o modo como toda a história é contada peca muito e acaba irritando até quem nem gosta tanto de Star Wars. Tudo é clichê ao extremo e previsível demais, e já nos primeiros capítulos do jogo você já saberá muito bem qual será o destino de Iden e seu esquadrão. Isso tira nosso interesse muito rápido do enredo, e acabamos jogando apenas pela diversão dos tiroteios e a riqueza de detalhes dos cenários, que continuam deslumbrantes.

Visitaremos a capital do Império e muitos outros lugares interessantes

Não controlamos apenas Iden ao longo da campanha, mas também alguns personagens já conhecidos da saga, além do droide da protagonista que também pode ser controlado. O lado positivo disso tudo é que eles não forçaram a barra em tentar enfiar um personagem novo que detém a força como principal, mas sim uma pessoa comum, apenas mais um soldado nessa guerra sem fim. Os trechos onde somos overpower fica a cargo dos heróis que já conhecemos, que possuem suas missões específicas. A parte ruim disso tudo é que todo relacionamento dentro da história, desde Iden com o ciclo de personagens ao seu redor até os próprios heróis da saga, é simplesmente superficial e forçado ao extremo. Os personagens não possuem o mínimo de química; o que aparenta ali é que eles estão apenas seguindo o roteiro de um filme muito clichê, que quer forçar o telespectador a engolir um romance totalmente sem sentido nos últimos minutos, e ainda emocionar a todos com cenas fraternais que não convencem nem mesmo os jogadores mais sensíveis. Todo personagem foi colocado ali com um único objetivo na história, e no final você não consegue se apegar a nenhum deles, com exceção de Iden que é a nossa personagem, e querendo ou não nós acabamos gostando dela.

O que a campanha peca na história, ao menos consegue entreter na ação frenética dos tiroteios. Como já citado, o visual do game é de impressionar qualquer um, e as batalhas, tanto na terra como também no espaço, são para nenhum fã da saga colocar defeito. Assim como no multiplayer, também podemos equipar cards de habilidades em Iden, esses que garantem certos atributos especiais ou armas poderosas por um certo limite de tempo. A campanha dura em torno de 6 a 8 horas, incluindo a busca dos coletáveis que são opcionais e muito simples de serem encontrados. Cada capítulo concluído, em conjunto com os coletáveis, te garantem pontos que te permitem comprar loot boxes, garantindo recompensas para o multiplayer. Achou mesmo que não teria loot boxes nesse jogo? Agora entra a parte polêmica disso tudo.

Tomaremos o controle de rostos muito conhecidos na franquia

Pague para vencer?

Pra quem jogou o primeiro, o multiplayer segue sem segredo. Contamos com cinco modos diferentes: Ataque (modo baseado em objetivos); Batalha (o Team Death-Match do jogo); Ataque com Caças Estelares (um modo focado apenas em batalhas com naves); Heróis vs Vilões (focado nos personagens dos filmes) e Ataque Galáctico (outro modo baseado em objetivos, porém com mais jogadores e partidas maiores).

Os mapas continuam imensos e alguns modos suportam até 40 jogadores, como também era no seu antecessor. Uma grande novidade que este título traz para a saga é o sistema de classes, disponibilizando uma certa variedade de estilos de combate aos jogadores e permitindo uma maior diversidade nas partidas. O game possui quatro classes: Assalto, a frente de batalha do time; Pesado, soldados mais resistentes que usam armas mais poderosas; Oficial, o suporte da equipe; e por fim os Especialistas, mestres das armadilhas e armas à longa distância. As classes podem ser alternadas diversas vezes ao longo de uma mesma partida, onde sempre que um jogador morrer, é possível alterá-la durante o respawn. Elas não se limitam apenas para as batalhas no chão, mas também estão disponíveis para as naves, no modo Ataque com Caça Estelares, onde existe quatro classes de naves diferentes.

O modo Heróis vs Vilões nos permite encarnar os mocinhos ou os caras maus

A adição das classes foi muito bem-vinda, e em conjunto com todos os novos mapas e heróis disponíveis no game, deixou o multiplayer muito mais atraente de se jogar. Ele tem tudo para ser mais duradouro que o primeiro, mas sempre há um porém. Como citado anteriormente, a EA optou por substituir as DLCs pagas pelas loot boxes, caixas com recompensas sortidas, que podem variar desde créditos até novas habilidades ou movimentos para seus personagens no multiplayer. As loot boxes não é algo exclusivo de Battlefront II, considerando que esse sistema está cada vez mais frequente de se ver nos títulos multiplayer de uns anos pra cá. É possível adquirir loot boxes comprando com créditos do game, o que exige um certo tempo de jogatina acumulando os mesmos, ou pagando com dinheiro de verdade, ou seja, o famoso pay-to-win.

Sempre existirá a desculpa por parte do desenvolvedor de que o jogador não é obrigado a pagar por nada, ele pode desbloquear tudo jogando. No caso de Battlefront II, a EA não pegou leve na hora de exagerar um bocado nos meios de obter essas recompensas sem gastar um centavo, assim forçando os jogadores a comprar os cristais que liberariam cada recompensa, e isso revoltou muita gente antes mesmo do jogo lançar. Para se desbloquear tudo, incluindo cards e personagens, seria necessário jogar aproximadamente 4.500 horas de jogo, ou pagar um total acumulado de $2.100 dólares, o que é um completo absurdo. Para liberar um único personagem mais popular, como Darth Vader, exigiria no mínimo 40 horas de jogo, e não é em vão a posição do consumidor diante dessa situação.

Depois de uma série de críticas pesadas do público e da pressão da Disney, que acredita que a EA está manchando a marca Star Wars com essa postura, a empresa resolveu desligar as microtransações do jogo temporariamente, até que eles encontrem um modo onde todos possam ser beneficiados. Em tão pouco tempo, essa situação toda acabou denegrindo demais a imagem do jogo, esse que tinha tudo para ser um dos maiores lançamentos do ano. O multiplayer do jogo está razoavelmente ativo, mas com uma taxa de jogadores bizarramente menor que o lançamento do primeiro, e aí fica a pergunta: ele é ruim? Muito pelo contrário! O online é frenético, empolgante e te passa a sensação de fazer parte dos filmes, mas todo esse exagero para desbloquear as recompensas jogando normalmente acabou desanimando grande parte dos jogadores antes mesmo deles sequer começarem a jogar, e isso foi prejudicial não só para a própria EA como também para o título como um todo.

Com o desligamento temporário das microntransações, ainda há esperança de vermos o jogo vivo e do jeito que queríamos, mas tudo isso exigirá um grande comprometimento da EA com os fãs. Quando essas operações monetárias forem ativadas novamente, tudo deverá ser reformulado, inclusive o preço de cada uma, que está mais que abusivo. A DICE, desenvolvedora do game, não demorou em diminuir consideravelmente a exigência para comprar cada personagem no game, afinal ninguém deve ser obrigado a pagar por nada, e felizmente eles tomaram uma atitude antes do problema se alastrar ainda mais. Esse caso foi tão repercussivo que a EA está até sendo investigada por promover jogos de azar, provando que em certos casos, esse mercado de microtransações é uma exploração mais que abusiva ao consumidor e deve ser usado com muita cautela.

Um plano B

As batalhas galácticas são de tirar o fôlego!

Apesar dessa gafe tremenda no modo multiplayer, nem tudo está perdido. Battlefront II ainda conta com um modo Arcade, te colocando em diversas missões pelo lado dos Jedi ou pelo lado negro da força, e nele você controla todos os personagens disponíveis no game em diversas missões de matança. Esse modo é uma excelente opção para controlar todos os heróis, caso você não esteja disposto a desbloqueá-los no online, e mesmo sendo off-line, não deixa de ser divertido!

Caso você queira mesmo enfrentar outras pessoas, o modo Arcade ainda possui missões em Coop local, em Split-Screen, onde com dois controles, você e seu amigo poderão unir forças para completar missões juntos ou se enfrentarem no modo Versus. Pode não ser um modo online com 40 jogadores simultâneos, mas ainda assim entretém e te permite usufruir bastante da qualidade que o jogo tem.

Star Wars: Battlefront II passa muito longe de ser um jogo ruim, e apesar das falhas na narrativa, ele ainda é mais um excelente jogo de Star Wars, porém muito mal executado, detalhe que custou o interesse e o respeito de muitos fãs. É um título mais que recomendado para qualquer fã da franquia, desde os mais novos até os da velha guarda. Ainda assim, considerando o estado atual do game e o seu preço, o melhor é esperar a EA arranjar uma solução para os seus problemas antes de comprá-lo, assim como esperamos que a mesma aprenda com seus erros e acima de tudo, passe a priorizar a satisfação do consumidor nos seus vindouros títulos.

Sobre o autor

Renato Moura Jr.

Aquele típico nerd clichê que todo mundo gosta.