The Sinking City 2 chega como uma evolução curiosa no currículo da Frogwares, um estúdio conhecido por jogos mais investigativos, mas que aqui decide mergulhar de cabeça no survival horror. Ambientado em uma versão decadente e inundada de Arkham (não confundir com a dos jogos do Batman) nos anos 1920, o jogo mistura terror cósmico inspirado em H. P. Lovecraft, com uma jogabilidade focada em uma exploração mais linear, combate e puzzles, abandonando parte da jogabilidade investigativa do jogo anterior em favor de uma experiência mais tensa. Agora, se essa mudança valeu a pena? Bem, aí depende do que você espera do jogo.
Bem vindos a Arkham

Como dito acima, a Frogwares tomou uma decisão bastante corajosa com The Sinking City 2, abandonar boa parte da estrutura focada na investigação e dedução do primeiro jogo para mergulhar de cabeça no survival horror moderno no estilo Resident Evil, Alan Wake 2 e Silent Hill. Desta vez, viajamos para a cidade fictícia de Arkham na década de 1920, que se encontra parcialmente submersa por uma enchente devastadora. O jogo se posiciona como uma história independente, perfeita para quem nunca encostou no título anterior. O universo bebe direto da fonte do terror cósmico de H.P. Lovecraft.
Em The Sinking City 2 você controla Calvin Rafferty, um homem conectado ao oculto e que trabalha em uma universidade local. Sua motivação central é dolorosamente pessoal: sua companheira e amada, Faye Bennett, entrou em um coma após um ritual que deu terrivelmente errado. Enquanto todos fogem da cidade infestada, Calvin se recusa a partir até encontrar uma forma de reviver Faye. Sua jornada está em volta dessa busca, criando um arco intimo e direto ao ponto, sem os caminhos ramificados do jogo anterior.
Nesta ambientação caótica, a água em ascensão trouxe consigo uma praga de parasitas em forma de vermes que tomam conta dos mortos e infestam a cidade. O transporte de barco, que era uma mecânica central e por vezes arrastada no primeiro jogo, aqui ganha um papel secundário, servindo apenas como transição rápida entre as áreas. Isso deixa a atmosfera mais densa e focada na exploração a pé. O universo passa essa sensação constante de ruína e inevitabilidade, onde a população restante tenta desesperadamente evacuar, enquanto Arkham se afunda em seus próprios segredos macabros.
É um cenário claustrofóbico e melancólico que consegue contextualizar muito bem a urgência do protagonista. As áreas exploráveis funcionam quase como pequenos mundos abertos interconectados, repletos de elementos Metroidvania com atalhos que conectam corredores escuros a salas de salvamento. O universo é convincente o suficiente para fazer você se sentir preso em um pesadelo dos anos 20, onde a água e o desconhecido avançam sem parar.
Um lugar assustadoramente encantador

A direção de arte de The Sinking City 2 demonstra um cuidado excepcional. O grande destaque vai para o visual das aberrações cósmicas. O jogo consegue arrancar reações sinceras de surpresa com criaturas grotescas, bizarras e verdadeiramente perturbadoras que surgem na tela, mostrando que a equipe de arte captou com maestria a essência do horror lovecraftiano.
Por outro lado, o design dos inimigos comuns deixa a desejar pela falta de variedade. Como os parasitas reanimam corpos humanos, você acabará enfrentando os mesmos modelos de cadáveres repetidamente durante boa parte da aventura.
Ainda assim, a estética dos cenários, ruas alagadas, prédios decadentes e cômodos escuros, entrega uma atmosfera assustadora. Os personagens secundários, embora apareçam pouco, contam com um visual marcante e memorável. O contraste entre a decadência urbana da década de 1920 e os elementos sobrenaturais cria um apelo estético marcante.
Graficamente o jogo faz bonito aos padrões de jogos AA, por isso não espere por animações e modelagens faciais extremamente refinadas, mas sim algo com uma boa qualidade e de resultado satisfatório compensando com o uso de luzes e sombras para criar o clima de suspense.
Ainda tem espaço apra investigação

O combate traz tiro em terceira pessoa, combate corpo a corpo e um sistema de pisões nos inimigos caídos. O combate não chega a impressionar, funcionando como um feijão com arroz gostoso para o gênero.
O tempero diferenciado no combate e na progressão vem da Nightshade Mask. Ao resolver mistérios, você ganha pontos de habilidade para desbloquear perks e equipá-los na máscara, que possui até três slots. Como os pontos e espaços são limitados, o jogador precisa decidir estrategicamente entre liberar novas habilidades ou habilitar novos slots, sendo necessário jogar a campanha mais de uma vez para liberar tudo. Além disso, o gerenciamento de inventário restrito e a presença de salas de salvamento exigem planejamento constante sobre o que carregar.
O grande brilho da jogabilidade continua sendo a parte investigativa e os quebra-cabeças. O famoso “Palácio da Mente” da Frogwares foi adaptado: em vez de concluir a história por você, o jogo exige que você conecte as pistas manualmente na tela e tire suas próprias conclusões. Desde interpretar estrofes de músicas até inspecionar itens em 3D e decifrar códigos de cofres, os puzzles são extremamente satisfatórios, equilibrados e colocam o cérebro para funcionar de verdade, minha cabeça até doeu.
O terror está em toda parte!

O terror do jogo se divide entre o medo psicológico e a tensão do combate por recursos. A presença de um tipo específico de inimigo que surge de forma espontânea e te persegue pelo mapa causa momentos de pânico puro, lembrando mecânicas de perseguição já consagradas do gênero. A atmosfera opressiva das salas escuras e o som da água subindo mantêm o jogador constantemente em estado de alerta.
A mecânica dos inimigos adicionam um elemento tático assustador ao terror: se você não esmagar os vermes que saem dos inimigos derrotados, eles podem migrar e possuir outros corpos próximos, inclusive cadáveres que você já havia limpado anteriormente. Isso obriga o jogador a tomar cuidado mesmo após vencer uma batalha, criando uma paranoia constante sobre o ambiente ao redor.
A tensão também é alimentada pela escassez de munição e pela tomada de decisão sob pressão. A dúvida sobre gastar seus últimos cartuchos de espingarda ou tentar desviar de uma aberração em um corredor estreito é a essência do survival horror, e The Sinking City 2 executa essa dinâmica com precisão. O terror aqui não se apoia apenas em sustos fáceis, mas no desgaste gradual dos seus recursos e na sensação de desamparo.
Trilha Sonora

A trilha sonora cumpre seu papel com eficiência, focando muito mais na ambientação e nos ruídos do cenário do que em melodias marcantes. Os efeitos sonoros da água pingando, o rosnado dos monstros ecoando por corredores vazios e o silêncio pesado de Arkham constroem um clima constante de apreensão.
Considerações finais

The Sinking City 2 não reinventa o survival horror, mas combina bem o gênero com o terror cósmico. Apesar do combate simples e alguns problemas narrativos, o jogo se destaca pela atmosfera pesada, pelo desconforto constante e pela imersão em um mundo que quer te destruir em cada canto. Uma excelente pedida para os fãs de survival horror.
A review de The Sinking City 2 foi realizada com uma cópia cedida pela
Frogwares.
Distribuidora: Frogwares
Desenvolvedor: Frogwares
Gênero: Survival horror
Disponível para: PlayStation 5, Xbox Series e PC.
Data de lançamento inicial: 18 de agosto de 2026
