O movimento Stop Killing Games, que defende a preservação de jogos digitais após o encerramento de seus servidores, conquistou uma de suas maiores vitórias até agora. A Assembleia Estadual da Califórnia aprovou o projeto AB 1921, conhecido como Protect Our Games Act, levando a campanha para uma nova etapa do processo legislativo norte-americano.
A proposta foi aprovada por 43 votos a favor e 16 contra e agora seguirá para análise no Senado estadual da Califórnia. O projeto busca impedir que as empresas simplesmente tornem jogos comprados inutilizáveis após desligarem seus servidores.
Caso seja aprovado em definitivo, o texto exigirá que produtoras e publishers ofereçam alternativas quando decidirem encerrar serviços online de jogos pagos. Entre as possibilidades previstas estão:
- Aviso prévio de pelo menos 60 dias;
- Atualizações que permitam jogar offline;
- Ferramentas para servidores comunitários;
- Outras soluções que mantenham o acesso ao produto;
- Possibilidade de reembolso em determinados cenários.
A proposta se aplica principalmente a jogos que dependem de infraestrutura online para funcionar. A campanha ganhou visibilidade mundial após o encerramento de The Crew pela Ubisoft, que gerou grande polêmica em 2024.
Quando os servidores foram desligados, o jogo se tornou completamente inacessível, mesmo para quem havia comprado o título anos antes. O caso levantou uma discussão sobre propriedade digital e levou milhares de jogadores a questionarem se realmente “possuem” os games que compram online.
Desde então, o Stop Killing Games se transformou em um movimento internacional liderado pelo criador de conteúdo Ross Scott, acumulando apoio de jogadores, desenvolvedores e grupos de preservação digital.
Por outro lado, a iniciativa enfrenta forte resistência da Entertainment Software Association (ESA), entidade que representa algumas das maiores empresas da indústria. A associação argumenta que a proposta parte de uma premissa incorreta ao sugerir que consumidores “possuem” jogos digitais de forma permanente. Segundo a ESA, jogos digitais são licenciados, não vendidos como propriedade definitiva.
A entidade também afirma que as exigências poderiam aumentar custos de desenvolvimento e dificultar a criação de novos recursos online. Já os defensores da campanha argumentam que o objetivo não é obrigar suporte eterno, mas impedir que produtos pagos desapareçam completamente após o fim do suporte oficial.
Mesmo sendo uma legislação estadual, o projeto chama atenção porque a Califórnia concentra algumas das maiores empresas de tecnologia e entretenimento do mundo. Por isso, especialistas apontam que uma eventual aprovação definitiva poderia influenciar práticas de mercado muito além do estado norte-americano.
Enquanto isso, o Stop Killing Games também continua avançando na Europa. A iniciativa já ultrapassou 1,3 milhão de assinaturas verificadas em uma campanha oficial da União Europeia e aguarda uma resposta formal da Comissão Europeia nos próximos meses.
