Revelado por volta de setembro de 2021, Marvel’s Wolverine chega como um dos jogos mais aguardados do PlayStation 5, prometendo uma experiência de ação e aventura totalmente focada em narrativa. A proposta é clara: entregar uma jornada, violenta e introspectiva, explorando o lado mais humano de Logan.
Desenvolvido pela Insomniac Games, o estúdio responsável pelo sucesso de Marvel’s Spider-Man e Marvel’s Spider-Man 2, o jogo naturalmente carrega expectativas altíssimas. E, em muitos aspectos, ele realmente entrega uma experiência de alto nível técnico.
Mas nem tudo são cortes limpos e rápidos de adamantium em Marvel’s Wolverine. Apesar dos gráficos impressionantes e de um combate divertido, fica aquela sensação de que muita coisa poderia ter sido mais bem trabalhada.
Sem X-Men, mas com tema de X-Men

A história de Marvel ‘s Wolverine gira em torno de uma crescente ameaça, liderada por Bolivar Trask, contra os poucos mutantes que existem. Determinado a eliminar essa “ameaça”, ele conduz uma cruzada que coloca a Equipe X, comandada por Nathaniel Essex, em ação. Essa equipe é formada por Wolverine, Mística e Dentes de Sabre (Eu me recuso a falar os nomes deles em inglês).
No papel é parece uma história comum de humanos contra mutantes, mas chama a atenção por ser em um universo onde os X-Men não existem. O problema é que o jogo tenta abraçar muitas ideias dos X-Men ao mesmo tempo, não falarei quais para evitar spoilers.
A narrativa começa forte, com um clima de guerra entre humanos e mutantes, mas essa tensão vai se dissipando ao longo da campanha. O conflito que deveria parecer global acaba soando pequeno, quase como uma paranoia isolada do Trask, porque viajamos para outros lugares do mundo e não vemos essa ameaça mutante acontecendo.
Não espere encontrar um Logan completamente raivoso e cabeça quente. O Wolverine da Insomniac tem a personalidade mais introspectiva, ele tem sim seus momentos de raiva, mas ele age mais como um personagem que segue ordens do que alguém que faz seu próprio caminho.
No fim, o jogo perde a chance de contar uma história mais íntima e marcante do Wolverine. Em vez disso, parece um “pré-X-Men”, mais preocupado em reunir referências do que em construir uma narrativa realmente coesa do personagem do título.
Era para ser uma história do Wolverine?

Apesar dos problemas, há momentos em que Marvel’s Wolverine encontra seu rumo. Sempre que a narrativa se concentra nos planos de Essex ou nos confrontos diretos contra Trask e suas Sentinelas, tudo funciona melhor. Nesses trechos, a fúria de Logan ganha destaque, e o jogo consegue alinhar combate e narrativa de forma eficiente. Ver os mutantes sendo tratados como lixo desperta um certo sentimento de fúria até no jogador e faz com que picotar aqueles capangas seja algo realmente prazeroso.
No entanto, esse foco não se sustenta. A campanha constantemente se dispersa, introduzindo novos elementos que quebram o ritmo e enfraquecem a progressão dramática. Momentos densos são interrompidos por decisões narrativas pouco orgânicas, criando uma sensação de fragmentação e uma quebra de ritmo desnecessária.
O arco no Japão é o exemplo mais evidente disso. Ele não é ruim, mas surge sem a devida construção e parece incluído por obrigação, como se fosse um item de checklist do personagem, parece que os desenvolvedores falaram, “Wolverine no Japão é um clássico, temos que colocar de alguma forma!”. Em vez de enriquecer a jornada, esse desvio compromete tanto o ritmo quanto a própria gameplay.
Essa desconexão também afeta o tratamento do passado de Logan. Em vez de ser integrado de forma orgânica na narrativa principal, o passado dele é desbloqueado por meio de minigames desconectados do contexto do jogo. Você encontra através de “Portas mentais” que levam para minigames de desafios de tempo ou combate que liberam áudios narrados contando o passado do Wolverine, nem mesmo uma cutscene ou quadrinhos contando o passado que desbloqueamos, são apenas áudios. Para piorar, o próprio Logan demonstra pouco interesse com essas memórias já que elas não vão influenciar em nada… mentira, só a última tem uma certa relevância.
Eu sou o melhor no que faço, mas…

Na jogabilidade, Marvel’s Wolverine mostra suas garras, mas apenas parcialmente. O combate é fluido, rápido e visceral, capturando bem a brutalidade do personagem. Como falei mais acima, há um prazer quase instintivo em dilacerar inimigos, e essa sensação se mantém durante boa parte da campanha, ainda que fique extremamente repetitivo.
A progressão segue um modelo tradicional: ao subir de nível, o jogador ganha pontos que podem ser usados para comprar habilidades que expandem os movimentos básicos e liberam Técnicas Especiais. No total, são seis Técnicas Especiais, podendo escolher quatro para deixar o Wolverine ainda mais letal. O sistema de Adaptações funciona como uma segunda árvore de evolução, permitindo aprimorar atributos como dano, regeneração, defesa, faro e etc., e para evoluí-la usamos os Pontos de Adaptação, que ganhamos fazendo aqueles minigames das memórias ou encontrando bebidas pelo mapa (Olha o checklist aí, “Wolverine bebe, então precisamos colocar isso também”).
A barra de fúria adiciona intensidade ao combate, ela é dividida em três níveis que transformam Logan em uma verdadeira máquina de destruição, capaz de eliminar inimigos rapidamente e até se recuperar de danos fatais.
Ainda assim, os combos são simplificados. Na prática, muitas lutas se resumem à repetição de ataques básicos combinados com as Técnicas Especiais, sem exigir grande criatividade. Isso não torna o combate fácil, porque a barra de vida de Logan é bastante sensível, e receber muitos golpes em sequência pode interromper sua regeneração, levando rapidamente à morte.
O sistema de defesa segue o padrão conhecido: ataques comuns podem ser aparados, golpes sinalizados em amarelo permitem contra-ataques precisos, enquanto ataques em vermelho não tem defesa e exigem esquiva imediata.
Pequeno na altura, gigante para quem joga

Em termos de conteúdo, o jogo oferece uma experiência robusta, com cerca de 30 missões e uma campanha que ultrapassa as 20 horas. A exploração adiciona algumas horas extras, especialmente para quem busca colecionáveis.
Há 32 trajes disponíveis e 25 variações de garras, além de bebidas colecionáveis espalhadas pelo mapa. Esses elementos contribuem para uma sensação constante de progressão, mas, diferente do que foi visto em Marvel’s Spider-Man, os trajes têm impacto limitado na gameplay. Eles aumentam a vida total de Logan, mas não alteram outros status ou dão novas habilidades, tornando a customização mais estética do que funcional.
O modo “Novo Jogo +” surge como um bom incentivo para revisitar a campanha. Ele adiciona novas técnicas e melhorias pro Wolverine, permitindo explorar o combate com mais liberdade e eficiência. É uma adição bem-vinda que prolonga a vida útil do jogo, mesmo que não resolva completamente a sensação de repetição.
Vários lugares pelo mundo

O level design é um dos pontos mais consistentes do jogo. Mesmo sem adotar um mundo aberto, Marvel’s Wolverine consegue criar fases bem estruturadas e variadas, que mantêm o jogador engajado do início e no fim.
Os cenários são variados e construídos com cuidado, oferecendo algumas alternativas para acabar com os inimigos, áreas um pouco escondidas para encontrar colecionáveis, momentos de exploração e perseguições que ajudam a deixar o jogo menos repetitivo.
Em alguns momentos de Marvel’s Wolverine você pode abordar inimigos furtivamente ou deixar ser visto para descer as garras em todo mundo, os cenários oferecem essas duas possibilidades. Exceto no Japão, onde você apenas avança e mata uma série de inimigos em sequência, e são inimigos que destoam completamente do que você estava enfrentando antes, são seres mais místicos do que tecnológicos. Enfim, sem spoilers.
O jogo em boa parte do tempo sabe dosar o combate com perseguição, seja perseguindo a pé ou as perseguições mais alucinantes de moto.
Considerações finais

No fim das contas, Marvel’s Wolverine é visualmente bonito, apresentando um combate simples, mas visceral e alguns momentos impactantes em sua campanha. Porém tenta abraçar toda a mitologia dos X-Men em um mundo sem X-Men, ao invés de focar no rico universo pessoal do próprio Logan, entregando uma história que começa interessante, mas que termina com um gosto amargo.
A review de Marvel’s Wolverine foi realizada com uma cópia cedida pela
PlayStation.
Distribuidora: PlayStation
Desenvolvedor: Insomniac Games
Gênero: Ação
Disponível para: PlayStation 5
Data de lançamento inicial: 15 de setembro de 2026
