Man of Honor chega como a grande expansão de Mafia: The Old Country, apostando naquilo que fez o jogo principal funcionar tão bem: narrativa linear, personagens marcantes e uma representação cinematográfica da Sicília do início do século XX.
O DLC adiciona dois novos capítulos à história de Enzo Favara, além de novas atividades para o modo Free Ride. O grande atrativo está no retorno de Ennio Salieri, o Don do primeiro jogo da franquia.
O conteúdo certamente é interessante para fãs de longa data, mas acaba deixando a desejar quando o assunto é duração.
O passado do Don
A história se passa no inverno de 1905, durante os primeiros anos de Enzo como soldato da família Torrisi. Ao lado de Cesare, ele recebe a missão de ajudar um jovem Salieri a recuperar sua influência e acertar contas com antigos inimigos antes de sua partida para a América.

Os dois capítulos de Man of Honor são ambientados em um período intermediário da campanha original. Isso permite que a expansão se encaixe naturalmente na trajetória de Enzo, sem interferir em nenhum acontecimento de peso da história principal.
A participação de Salieri é, sem dúvida, o principal destaque. Aqui, ele ainda está longe do poderoso Don que os jogadores conhecem, sendo apresentado como um homem jovem, ambicioso e disposto a fazer o que for necessário para recuperar seu espaço.
A dinâmica com Enzo funciona justamente porque os dois compartilham características semelhantes: ambos são homens tentando construir seu futuro dentro de um mundo criminoso.
A escrita mantém a qualidade do jogo principal e aproveita bem a personalidade do personagem. Em vez de transformar Salieri em uma simples participação especial, o DLC mostra uma versão mais vulnerável e impulsiva dele, condizente com sua idade naquele momento.
Poucas horas de conteúdo
O maior problema de Man of Honor é também o mais evidente: a expansão acaba rápido demais. Os dois capítulos de história levam aproximadamente duas horas para serem concluídos, enquanto a experiência completa pode chegar a cerca de quatro horas considerando o conteúdo adicional.

É uma duração razoável para um DLC de R$ 58, mas a sensação de que poderia haver mais conteúdo é inevitável. As missões são interessantes, os personagens funcionam e a história termina justamente quando queremos mais daquele pequeno arco.
Para um DLC focado em narrativa, esse é um problema considerável. Man of Honor é mais um capítulo extra de The Old Country do que uma expansão propriamente dita.
Free Ride ganha motivos para ser explorado
Se a campanha é curta, o mesmo não pode ser dito do conteúdo adicional do Free Ride – o modo em que podemos explorar o mapa livremente, fora da campanha. Depois de completar os novos capítulos, o jogador recebe acesso a uma série de trabalhos para Salieri. Essas missões são mais abertas e permitem decidir como determinados objetivos serão cumpridos, oferecendo uma liberdade que combina bem com o modo de exploração.

Essa é provavelmente a melhor contribuição do DLC para a experiência como um todo. O Free Ride do jogo original era bem limitado em conteúdo e Man of Honor dá uma função mais clara ao mundo aberto. As novas atividades também aproveitam melhor o cenário, dando um propósito para se explorar a Sicília.
Vale a pena?
Para quem gostou da campanha original e quer passar mais tempo com Enzo, Man of Honor é uma recomendação fácil. A participação do jovem Salieri é interessante, os dois capítulos mantêm o ritmo cinematográfico da campanha e o novo conteúdo do Free Ride dá uma utilidade maior ao mundo aberto.
Por outro lado, quem espera uma expansão com várias horas de campanha vai se decepcionar. Os capítulos principais terminam rápido e deixam aquela sensação de que a história poderia ter sido desenvolvida por mais tempo.
Man of Honor é uma boa expansão, mas pequena. É um complemento competente e bastante agradável, mas que ainda vai te deixar “com fome”.
