Poucos jogos de terror carregam o peso histórico de Fatal Frame II: Crimson Butterfly: Remake, e esse remake chega ao PlayStation 5 tentando atualizar um clássico cult para uma nova geração. O resultado? Uma experiência extremamente atmosférica, às vezes brilhante… mas que tropeça feio quando você precisa, de fato, jogar.
Existe um jogo incrível aqui dentro. Só que parece que ele vive brigando consigo mesmo.
História e Enredo: Um Terror Mais Sentido do que Contado

A trama de Fatal Frame II: Crimson Butterfly: Remake acompanha as irmãs Mio e Mayu, que acabam presas na vila amaldiçoada de Minakami, um lugar engolido pela escuridão e marcado por rituais macabros envolvendo gêmeos. A partir daí, o jogo mergulha em temas como possessão, sacrifício e laços emocionais que resistem até depois da morte.
A narrativa funciona melhor como atmosfera do que como história direta. Muito do que acontece é contado por meio de documentos, anotações e fragmentos espalhados pelo cenário, no melhor estilo survival horror clássico. Quem gosta de montar o quebra-cabeça vai aproveitar bastante, ou não muito já que o jogo não conta com localização para o português do Brasil.
O remake melhora a forma como essa história é apresentada. Expressões faciais mais naturais, dublagem japonesa opcional e pequenas mecânicas, como interações entre as irmãs, ajudam a dar mais peso emocional. Ainda assim, o enredo continua vago, simbólico e, em vários momentos, distante. É o tipo de história que você sente mais do que entende.
Entre o Medo e a Frustração

A base da jogabilidade continua a mesma: explorar, resolver puzzles, gerenciar recursos e enfrentar fantasmas usando a icônica Câmera Obscura. A ideia ainda é boa. Fotografar espíritos no momento certo para causar mais dano continua sendo uma das mecânicas mais únicas do gênero.
O problema ficou na execução. O combate foi expandido com novos sistemas, upgrades, filtros, habilidades e opções… e tudo isso acaba tornando a experiência mais confusa do que divertida. Há muitas variáveis, pouca explicação e uma sensação constante de que você nunca está jogando da forma “certa”.
Além disso, os confrontos são inconsistentes. Um mesmo inimigo pode ser derrotado rapidamente ou virar uma batalha demorada sem motivo claro. O estado “aggravated” dos fantasmas piora tudo, deixando-os mais rápidos, resistentes e capazes de se curar, transformando encontros simples em longas e demoradas batalhas, quebrando o ritmo do terror.
Stealth e exploração

Uma das novidades mais interessantes é a adição de mecânicas de furtividade. Agora é possível se esconder, apagar a lanterna, evitar confrontos e até realizar ataques surpresa.
Na teoria, isso aumenta a tensão. Na prática, nem sempre funciona bem. Há momentos em que se esconder parece inútil, com inimigos simplesmente ignorando a lógica e indo direto até você.
Já a exploração continua sendo um dos pontos altos. O design da vila é inteligente, com boa sinalização e backtracking típico do gênero. Você raramente se perde, mas nunca se sente seguro.
Gráficos e Direção de Arte: Beleza Assombrada

Visualmente, o remake acerta em cheio. A vila de Minakami está mais detalhada, mais assustadora. A direção de arte mistura realismo com aquele toque levemente artificial dos personagens, criando um efeito inquietante, quase como bonecas presas em um pesadelo.
Luz e sombra são usadas com maestria. Corredores escuros, lanternas tremulando, silhuetas surgindo ao fundo. É um terror que se constrói no olhar periférico, naquele movimento estranho que você jura ter visto. Os fantasmas, por sua vez, são perturbadores na medida certa, pena que ficam desgastados por conta do combate e aos poucos a presença deles vai deixando de ser algo assustador.
Trilha Sonora e Som: O Verdadeiro Vilão Está nos Ouvidos

Se tem algo que Fatal Frame sempre fez bem, é o som. E aqui não é diferente. Estalos, passos, sussurros, madeira rangendo. O jogo cria um ambiente hostil mesmo quando não há nada acontecendo. Ou melhor… quando você acha que não tem.
A trilha sonora é sutil, quase invisível, mas entra nos momentos certos para elevar a tensão. Não é um terror explosivo. É um terror que cresce aos poucos, mas com seus momentos de jump scare.
Considerações Finais

Fatal Frame II: Crimson Butterfly: Remake entrega um terror atmosférico e marcante, mas é prejudicado por combate inconsistente e sistemas confusos, resultando em uma experiência que alterna entre tensão e frustração, valendo mais para fãs do gênero do que para quem busca algo mais fluido.
A review de Fatal Frame II: The Crimson Butterfly: Remake foi realizada com uma cópia cedida pela KOEI TECMO.
Distribuidora: KOEI TECMO
Desenvolvedor: KOEI TECMO
Gênero: Survival horror
Disponível para: PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox Series e PC
Data de lançamento inicial: 11 de março de 2026