Quando se fala em soulslike publicado pela Bandai Namco, é difícil não pensar imediatamente em Dark Souls ou Elden Ring. Code Vein sempre foi a “outra opção” do catálogo, aquela tentativa de criar identidade própria misturando vampiros, anime e cooperação. Em Code Vein 2, a proposta é ampliar esse universo, mas o resultado acaba sendo um jogo que joga no seguro demais e tropeça nos mesmos problemas do passado.
Durante a jogatina a sensação dominante durante boa parte da campanha é o tédio. A história pouco envolve, os personagens não criam conexão e o mundo, apesar de grande, é repetitivo e sem vida. Ainda assim, o jogo acerta em pontos pontuais, principalmente no combate e na criação de personagens, o que faz a experiência não ser totalmente descartável.
A melhor parte vem antes do jogo começar

É curioso, mas Code Vein 2 entrega seu melhor elemento logo nos primeiros minutos: a criação de personagem. O nível de personalização é impressionante. Roupas, acessórios, cabelos, cores e combinações permitem criar praticamente qualquer personagem de anime, jogo ou até algo totalmente original.
Como o jogo não trabalha com armaduras tradicionais, o famoso “fashion souls” vira regra. E o melhor é que qualquer ajuste visual pode ser feito a qualquer momento da campanha. O problema é que, depois desse início promissor, a jornada que se segue dificilmente acompanha o mesmo nível de criatividade.
Uma história confusa e sem peso

A trama gira em torno de um mundo à beira do colapso. Os Revenants, humanos ressuscitados com poderes vampirescos, sofrem com a Ressurgência, um fenômeno que os transforma em monstros. Há 100 anos, seis heróis tentaram conter essa ameaça, mas falharam. Cabe ao protagonista viajar no tempo, reencontrar esses heróis e tentar refazer o ritual.
A ideia de trabalhar com linhas temporais diferentes é interessante e até rende alguns momentos curiosos, mostrando versões passadas de personagens que, no presente, se tornaram vilões. O problema é que tudo isso é mal aproveitado. Os diálogos são fracos, os personagens carecem de carisma e as tentativas de drama, geralmente acompanhadas por músicas tristes de piano, não geram impacto emocional.
O objetivo de “salvar o mundo” soa vazio. Em nenhum momento o jogo cria um real senso de urgência. Não vemos o mundo em perigo iminente, nem eventos que façam o jogador sentir que precisa agir rápido. A ameaça é sempre abstrata, o que enfraquece completamente a narrativa.
As missões secundárias seguem o mesmo caminho. Em geral, envolvem explorar dungeons pouco inspiradas para ganhar itens ou enfrentar chefes reciclados, muitas vezes inimigos comuns reaproveitados com mais vida e dano.
Combate funciona, mas cansa rápido

O combate é competente. Não reinventa o gênero, mas entrega o básico bem feito. Há uma boa variedade de armas, como espadas de duas mãos, lâminas duplas, baionetas e outras, além de habilidades que podem ser combinadas livremente entre os equipamentos.
O ritmo é mais cadenciado do que em Dark Souls e claramente pensado para funcionar em dupla. Os companheiros são praticamente obrigatórios, já que jogar sozinho torna a experiência desnecessariamente frustrante. Eles ajudam a distrair inimigos, oferecem bônus passivos e aliviam bastante o peso das batalhas, inclusive contra chefes.
O problema é a repetição. Os inimigos são praticamente os mesmos do início ao fim do jogo, mudando apenas de cor dependendo da área. O moveset e o comportamento são idênticos, o que faz o combate perder impacto com o tempo. Até mesmo os chefes sofrem com isso, já que muitos são reaproveitados várias vezes ao longo da campanha, especialmente nas horas finais.
Exploração, mas sem encanto

A exploração é livre e permite escolher a ordem de enfrentamento dos heróis, algo que lembra Elden Ring em teoria, mas não na execução. O mundo é vazio, cinza e pouco convidativo. Não há curiosidade em explorar por vontade própria, apenas a necessidade de encontrar recursos ou avançar na missão principal.
A locomoção com moto é outro ponto negativo. Controlar o veículo é desconfortável, e o mapa, além de confuso, não diferencia missões principais de secundárias, usando o mesmo ícone para tudo. Em pouco tempo, o mapa vira uma bagunça visual.
O sistema de builds também decepciona. A progressão depende de Códigos de Sangue com atributos pré-definidos, o que limita bastante a liberdade de personalização. Mesmo com várias classes de armas disponíveis, o jogador não consegue moldar totalmente seu personagem, ficando preso a escolhas automáticas que nem sempre fazem sentido para o estilo desejado.
Problemas técnicos persistem

Tecnicamente, Code Vein 2 deixa a desejar. Texturas carregam tarde, inimigos e objetos surgem na frente do jogador e o desempenho é instável. Mesmo com dois modos gráficos disponíveis, a diferença entre eles é praticamente inexistente.
No PS5, o jogo aparenta rodar travado a 30 FPS, com quedas perceptíveis em combates, cutscenes e exploração. Para um lançamento de nova geração, o visual é lavado, com texturas fracas e pouca identidade artística, especialmente se comparado a outros soulslikes recentes.
Considerações finais

Code Vein 2 entrega um souls mediano, jogando demais no seguro. Talvez possa agradar aos fãs do primeiro jogo com um combate funcional e uma excelente criação de personagens, porém falha em evoluir de forma significativa. Para quem espera algo no nível dos grandes soulslikes, a experiência soa repetitiva e sem impacto.
A review de Code Vein 2 foi realizada com uma cópia cedida pela Bandai Namco.
Distribuidora: Bandai Namco
Desenvolvedor: Bandai Namco
Gênero: Soulslike, RPG
Disponível para: PlayStation 5, Xbox Series e PC
Data de lançamento inicial: 29 de janeiro de 2026
