Lançado originalmente em 2017, Xenoblade Chronicles 2 foi um dos primeiros grandes RPGs do Nintendo Switch e ajudou a consolidar a franquia da Monolith Soft entre as principais séries do gênero nos consoles da Nintendo. Quase uma década depois, a aventura de Rex retorna com Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition.
A nova versão aproveita o hardware mais poderoso para corrigir algumas das principais limitações técnicas do original, além de trazer melhorias de qualidade de vida e novos conteúdos. O resultado não elimina todos os problemas do jogo de 2017, mas transforma esta facilmente na melhor maneira de conhecer — ou revisitar — Alrest.
Uma jornada pelos Titãs de Alrest
Xenoblade Chronicles 2 se passa em Alrest, um mundo onde a humanidade vive sobre enormes criaturas conhecidas como Titãs, que vagam por um gigantesco Mar de Nuvens.

É nesse cenário que conhecemos Rex, um jovem salvager que ganha a vida recuperando objetos perdidos nas profundezas. Sua rotina muda completamente após conhecer Pyra, uma poderosa Blade que deseja chegar a Elysium, uma terra lendária localizada no topo da gigantesca Árvore do Mundo.
A partir daí começa uma jornada que cresce consideravelmente em escala, apresentando diferentes regiões, povos, conflitos e personagens.
Narrativamente, Xenoblade Chronicles 2 abraça bastante a estética dos animes japoneses, seja no humor, nas personalidades ou no visual de determinados personagens. A história pode demorar um pouco para engrenar, mas ganha peso conforme avança e desenvolve melhor seu elenco e os mistérios envolvendo Alrest.
Um combate complexo que recompensa a paciência
As batalhas acontecem em tempo real, com os personagens executando ataques básicos automaticamente enquanto o jogador controla posicionamento, Arts, Specials, Blades e diferentes combinações entre essas mecânicas.

Nas primeiras horas, o sistema pode parecer confuso. Xenoblade Chronicles 2 apresenta muitas mecânicas e tutoriais em pouco tempo, nem sempre permitindo que o jogador assimile completamente um sistema antes de introduzir outro.
Porém, quando tudo começa a fazer sentido, o combate se transforma em um dos destaques da experiência. Elementos, posicionamento, combinações entre personagens e diferentes Blades adicionam profundidade às batalhas, especialmente durante confrontos contra inimigos mais poderosos e chefes. É um sistema que exige paciência, mas recompensa quem estiver disposto a aprendê-lo.
Blades e progressão
As Blades possuem papel fundamental tanto na história quanto no gameplay. Elas influenciam habilidades, elementos e possibilidades durante os confrontos, fazendo com que montar uma boa composição de equipe seja parte importante da experiência. Afinidades, equipamentos e diferentes formas de desenvolver personagens aumentam ainda mais as possibilidades de personalização.

Ao mesmo tempo, essa quantidade de sistemas pode intimidar jogadores menos acostumados com JRPGs mais complexos. Xenoblade Chronicles 2 oferece muita liberdade, mas exige tempo para que todas as suas mecânicas sejam compreendidas.
Um mundo gigantesco para explorar
A escala continua sendo uma das características mais impressionantes de Xenoblade Chronicles 2. Os Titãs funcionam como enormes regiões exploráveis, cada uma com identidade própria, diferentes criaturas, cidades e paisagens.
A direção artística continua impressionando mesmo anos depois, principalmente pela sensação de escala proporcionada pelos cenários. Por outro lado, algumas regiões podem parecer grandes demais durante determinadas missões, enquanto a navegação nem sempre é tão intuitiva quanto deveria.

A Switch 2 Edition ameniza alguns desses problemas com melhorias de qualidade de vida. A coleta de itens está mais rápida e as Field Skills agora podem considerar toda a coleção de Blades obtidas, diminuindo a necessidade de trocar constantemente a formação apenas para realizar determinadas ações durante a exploração.
Alrest finalmente ganha a apresentação que merecia
É na parte técnica que Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition apresenta sua maior evolução. O jogo original era extremamente ambicioso para o primeiro Switch e isso cobrava um preço, principalmente no modo portátil, onde a baixa resolução podia deixar a imagem bastante borrada.
No Switch 2, a diferença é imediatamente perceptível. Cenários, personagens e elementos distantes estão muito mais definidos, permitindo apreciar melhor a excelente direção artística de Alrest.

Mais importante ainda é a chegada dos 60 FPS. Explorar os enormes ambientes se torna mais agradável, enquanto as batalhas ganham uma fluidez que combina muito melhor com a quantidade de personagens, efeitos e informações presentes na tela.
O salto é particularmente importante no modo portátil, transformando justamente uma das formas mais comprometidas de jogar o original em uma excelente alternativa.
Não estamos diante de uma reconstrução visual. Modelos, animações e boa parte da base gráfica continuam pertencendo a um título de 2017. O que mudou foi a capacidade do hardware de apresentar tudo isso com muito mais clareza e fluidez.
Merc Assault e novos conteúdos
A Switch 2 Edition também apresenta algumas novidades além das melhorias técnicas. Uma das principais é Merc Assault. No original, determinadas missões permitiam enviar grupos de Blades para realizar tarefas em segundo plano. Agora é possível participar diretamente de algumas dessas atividades, controlando as próprias Blades em confrontos contra grupos de inimigos.

É uma adição simples, mas oferece novas oportunidades para utilizar personagens que muitas vezes acabariam esquecidos dentro da enorme coleção disponível. Outra novidade é MOMO, personagem conhecida pelos fãs de Xenosaga, que aparece como uma nova Rare Blade e pode ser desbloqueada através de uma missão inédita. Pyra e Mythra também receberam novos trajes.
São conteúdos interessantes, principalmente para veteranos, mas não espere uma expansão gigantesca. O principal motivo para retornar continua sendo a evolução técnica.
Torna continua sendo um ótimo complemento
Torna – The Golden Country também continua sendo uma parte importante do pacote de Xenoblade Chronicles 2. A expansão apresenta acontecimentos anteriores à campanha principal e oferece mais contexto para personagens e eventos importantes do universo, além de trazer algumas diferenças no sistema de combate.
Para quem pretende mergulhar completamente na história, continua sendo um excelente complemento após a campanha principal e também se beneficia das melhorias técnicas proporcionadas pelo Nintendo Switch 2.
Alguns problemas de 2017 permanecem
Apesar das melhorias, Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition continua essencialmente sendo o mesmo RPG lançado em 2017.
O começo ainda pode ser lento, os tutoriais apresentam informações demais, a navegação poderia ser melhor e algumas missões exigem longos deslocamentos pelos enormes mapas. Também estamos falando de uma aventura que exige bastante tempo e dedicação. Quem procura um RPG mais direto pode encontrar dificuldades para entrar no ritmo.
Para quem já terminou o jogo anteriormente, o conteúdo realmente inédito também não é gigantesco. Merc Assault, MOMO e as melhorias de qualidade de vida são boas adições, mas resolução e principalmente 60 FPS continuam sendo os maiores motivos para retornar.
Devo comprar?
Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition é a melhor forma de experimentar a jornada de Rex por Alrest. Os 60 FPS, a maior qualidade de imagem e os ajustes que tornam a exploração e o gerenciamento das Blades mais práticos corrigem algumas das principais limitações do lançamento original, enquanto novidades como Merc Assault e MOMO complementam o pacote.
Alguns problemas de 2017 continuam presentes, principalmente no ritmo inicial e na forma como o jogo apresenta seus inúmeros sistemas. Ainda assim, sua história, mundo e profundo sistema de combate continuam fazendo de Xenoblade Chronicles 2 um excelente JRPG. Para novos jogadores, esta é definitivamente a versão ideal para conhecer a aventura.
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