Lançado originalmente em 2010 para Nintendo DS (exclusivamente no Japão), WiZmans World Re;Try é um JRPG que aposta na mistura de nostalgia com refinamentos modernos. Ele nunca tentou reinventar o gênero, mas entrega uma experiência coesa, com identidade própria e carinho pelos fundamentos clássicos.
16 anos depois da sua estreia original, ele renasce em sua versão Re;Try, um remaster que não apenas o adapta para as plataformas modernas, mas também o introduz no ocidente. Temos aqui um RPG confortável para veteranos e acessível para quem está começando agora, mas seu ritmo mais tradicional pode parecer lento para quem busca uma experiência mais dinâmica.
Narrativa e personagens
Nesse jogo controlamos um mago que vive na cidade de Wizarest. Um certo dia, seu lar perde contato com o mundo exterior e, misteriosamente, todos que vivem ali perdem sua memória. Para solucionar esse mistério, o protagonista deve encarar as dungeons que cercam a cidade – e todas estão repletas de perigos milenares.

A história equilibra fantasia, humor e momentos mais emotivos, criando um grupo de protagonistas que cresce em camadas conforme o enredo avança. O mundo tem personalidade e pequenas reviravoltas que evitam o “mais do mesmo” do JRPG tradicional, enquanto os diálogos conseguem ser leves sem descambar para o bobo.
O ponto menos inspirado está em alguns arcos que pedem mais desenvolvimento: certas motivações passam rápido demais, o que reduz o impacto emocional de viradas importantes. Mesmo assim, o carisma do elenco e o tom bem dosado mantêm o engajamento e dão vontade de seguir explorando.
Combate e progressão
O sistema de turnos é o coração da experiência e funciona com profundidade. Há espaço para montar builds, combinar magias/buffs e customizar a ordem de ações, o que dá um sabor estratégico às batalhas e recompensa aqueles que experimentam composições diferentes de equipe.

O jogo acerta ao escalar a dificuldade de forma gradual, evitando picos injustos e ensinando mecânicas aos poucos. Em contrapartida, a frequência de encontros em certas áreas e a repetição de inimigos podem cansar em sessões mais longas, especialmente para quem prefere explorar com menos interrupções.
Ainda assim, o loop de combate é consistente o suficiente para sustentar dezenas de horas sem perder totalmente a graça.
Visual e trilha musical
A estética combina pixel art detalhada com efeitos modernos, resultando em um visual charmoso e legível em combate, com animações fluidas que ajudam a dar peso às ações. Cenários variam o suficiente para não parecerem reciclados e o design de inimigos tem uma boa identidade.
A trilha sonora acompanha bem o clima de cada área e evita a fadiga auditiva ao variar temas, o que ajuda na imersão durante longas sessões. Por outro lado, quem espera dublagem completa pode sentir falta de um acabamento mais “premium” na apresentação; a opção por foco em texto funciona, mas deixa a experiência menos empolgante.

A estrutura é fiel ao gênero, com progressão clara entre áreas, dungeons e picos de desafio. Isso é ótimo para quem gosta de previsibilidade estratégica, mas pode soar conservador para jogadores que esperam mais experimentação no ritmo ou na forma de contar a história.
O jogo brilha quando permite ao jogador testar composições e estratégias em sequência de batalhas bem desenhadas, mas perde um pouco quando alonga demais trechos com encontros excessivamente semelhantes.
Veredito
WiZmans World Re;Try é um JRPG sólido, feito para quem aprecia sistemas clássicos bem polidos, narrativa simpática e uma apresentação que conserva a nostalgia sem parecer datada. Ele ganha pontos pela profundidade tática, pelo carisma dos personagens e pela direção de arte consistente, mas perde um pouco em trechos mais repetitivos e na ausência de dublagem, que daria mais impacto em momentos-chave.
No conjunto, é uma escolha segura e satisfatória para fãs do gênero que querem uma jornada longa, estratégica e confortável — sem prometer revoluções, mas entregando um pacote honesto e bem executado.