Entre os jogos que tive a oportunidade de experimentar durante a Brasil Game Show, Stranger Than Heaven foi um daqueles que mais me surpreenderam pela jogabilidade. O novo projeto da RGG Studio, conhecida principalmente pela franquia Like a Dragon (Yakuza), chega com uma proposta de ação que coloca o combate no centro da experiência, oferecendo confrontos intensos, golpes brutais e mecânicas que exigem atenção do jogador.
Durante o evento, consegui jogar por aproximadamente 30 minutos em uma demonstração dividida em três fases, cada uma com seu próprio nível de dificuldade. A proposta era justamente apresentar as principais mecânicas do jogo e permitir que os participantes experimentassem diferentes níveis de desafio.
E posso dizer que a experiência foi bastante positiva. O combate é divertido, viciante e tem potencial para se tornar um dos grandes destaques do lançamento, principalmente para quem gosta de jogos de ação que recompensam o domínio das mecânicas.

Três desafios para demonstrar o potencial do combate
A demonstração disponibilizada pela SEGA foi organizada em três fases com dificuldades diferentes. Em vez de apresentar uma longa sequência narrativa, o conteúdo foi pensado para colocar o jogador diretamente em situações de combate, permitindo conhecer os comandos e entender como o sistema funciona na prática.
Essa escolha funcionou muito bem para uma apresentação em evento. Com tempo limitado para experimentar o jogo, pude me concentrar no que realmente importa nessa demonstração: aprender os movimentos, testar combinações de golpes e enfrentar adversários cada vez mais desafiadores.
Conforme avançamos pelos confrontos, fica mais evidente que não basta simplesmente pressionar os botões de ataque repetidamente. É necessário prestar atenção aos movimentos dos inimigos, entender quando atacar e saber o momento certo para se defender.
A dificuldade crescente também ajuda a mostrar que o sistema possui camadas de profundidade. Enquanto os primeiros combates servem para familiarizar o jogador com os comandos, os desafios seguintes exigem mais atenção e domínio das mecânicas.
Mesmo em uma demonstração relativamente curta, essa progressão conseguiu manter o interesse e transmitir a sensação de que existe bastante espaço para aprimorar nossas habilidades ao longo da aventura.

Um sistema de combate diferente do convencional
O grande destaque de Stranger Than Heaven está na maneira como seus combates foram desenvolvidos. Diferentemente de muitos jogos de ação tradicionais, nos quais os ataques são executados por meio de combinações convencionais de botões, aqui o jogador controla os lados esquerdo e direito do protagonista de maneira independente.
Na prática, isso permite trabalhar os golpes de cada lado do corpo separadamente, criando diferentes combinações ofensivas e defensivas. É possível atacar com um braço enquanto o outro é utilizado para bloquear, alternar entre golpes rápidos e pesados e encontrar aberturas para contra-atacar.
Essa abordagem faz com que as lutas tenham uma dinâmica própria. Em vez de depender exclusivamente de sequências pré-definidas, o jogador precisa entender como utilizar os movimentos disponíveis e reagir ao comportamento dos adversários. O sistema também permite carregar determinados ataques para desferir golpes mais poderosos, além de utilizar investidas e derrubadas para ampliar as possibilidades durante os confrontos.
Durante os testes na BGS, foi justamente essa liberdade que mais me chamou a atenção. A jogabilidade é bastante divertida e passa aquela sensação de que sempre existe uma nova combinação para experimentar. Mesmo depois de entender o básico, continuar testando os comandos se torna parte da diversão. É um sistema que exige um pouco de adaptação, mas que recompensa o jogador quando as mecânicas começam a fazer sentido.

Pancadaria brutal e confrontos cada vez mais desafiadores
Outro ponto interessante é a maneira como o jogo apresenta seus confrontos. A pancadaria tem uma abordagem mais crua e impactante, com golpes que transmitem peso e uma apresentação que combina com a proposta de uma aventura ambientada em períodos históricos turbulentos do Japão.
Além dos ataques corpo a corpo, Stranger Than Heaven também contará com armas, ampliando as possibilidades durante as lutas. Facas, objetos contundentes e outras ferramentas poderão ser utilizadas para enfrentar os inimigos, oferecendo novas alternativas para quem deseja variar sua abordagem.
A demonstração da BGS ajudou a mostrar como o sistema pode ganhar complexidade quando o jogador precisa lidar com adversários mais perigosos. Não se trata apenas de causar o máximo de dano possível, mas de entender o ritmo do confronto e aproveitar as oportunidades para atacar.
Essa combinação entre ofensiva, defesa e leitura dos movimentos inimigos deixa os combates mais envolventes e contribui para aquela sensação de querer continuar jogando para dominar melhor as mecânicas. Minha impressão é que a RGG Studio encontrou uma maneira interessante de renovar sua fórmula de ação. O resultado é um combate que consegue ser acessível para quem está começando, mas que também demonstra potencial para oferecer desafios mais exigentes conforme avançamos.

Uma história que atravessa cinco décadas
Embora a demonstração da BGS tenha sido concentrada na jogabilidade, Stranger Than Heaven também promete uma narrativa ambiciosa. A história acompanha Makoto Daito, um jovem nascido em São Francisco, em 1915, filho de pai americano e mãe japonesa. Rejeitado por sua origem e marcado pela perda dos pais, ele decide partir para o Japão em busca de um lugar ao qual possa pertencer.
A jornada se estende por cinco décadas, passando por diferentes períodos históricos e cidades japonesas. Ao longo da aventura, acompanharemos as transformações culturais e sociais do país, com cenários que vão de regiões industriais a movimentados distritos de entretenimento.
A proposta narrativa é uma das características que diferenciam o projeto de outros jogos de ação. Em vez de apresentar apenas uma sequência de confrontos, a RGG Studio pretende construir uma história sobre identidade, pertencimento e a luta por um lugar no mundo.
O jogo também terá elementos relacionados ao entretenimento e ao show business, mostrando outra faceta da trajetória de Makoto. Essas atividades devem complementar a exploração e o desenvolvimento do protagonista ao longo das diferentes épocas. Mesmo sem ter conseguido conhecer toda essa estrutura durante a demonstração, a premissa desperta curiosidade sobre como a narrativa será desenvolvida e como as mudanças de período influenciarão a aventura.

O novo projeto da RGG Studio merece atenção
A RGG Studio construiu sua reputação com jogos que combinam histórias marcantes, personagens carismáticos e sistemas de combate cheios de personalidade. Com Stranger Than Heaven, o estúdio parece disposto a experimentar uma abordagem diferente, especialmente na maneira como o jogador participa das lutas.
O controle independente dos lados esquerdo e direito do protagonista é uma ideia que diferencia o jogo de outras produções do gênero e ajuda a dar identidade própria à experiência. Pelo que pude testar, essa escolha funciona bem. O combate é divertido, os desafios conseguem manter o interesse e a progressão entre as três fases da demonstração oferece uma boa amostra do que podemos esperar da dificuldade dos confrontos.
Ainda quero conhecer melhor a campanha, a variedade de inimigos e a maneira como as mecânicas evoluirão durante a aventura completa. Afinal, uma demonstração de aproximadamente 30 minutos permite apenas um primeiro contato com as possibilidades do sistema. Mesmo assim, saí da BGS com uma impressão bastante positiva e com vontade de jogar mais.

Vale a pena ficar de olho em Stranger Than Heaven?
Depois de quase 30 minutos de gameplay, Stranger Than Heaven conseguiu me conquistar principalmente por seu combate. A possibilidade de controlar os dois lados do protagonista de maneira independente torna as lutas mais interessantes, enquanto os diferentes níveis de dificuldade ajudam a demonstrar o potencial das mecânicas.
A jogabilidade é viciante e divertida, especialmente para quem gosta de experimentar combinações de golpes e aprimorar suas habilidades durante os confrontos. É o tipo de sistema que faz você querer continuar jogando para descobrir novas possibilidades e superar desafios cada vez mais difíceis. A proposta narrativa, que acompanha cinco décadas da história de Makoto Daito, também desperta curiosidade e pode oferecer um contexto interessante para toda essa pancadaria.
Ainda é cedo para tirar conclusões sobre a experiência completa, mas o primeiro contato foi bastante promissor. Se a RGG Studio conseguir manter essa qualidade e variedade ao longo da campanha, Stranger Than Heaven tem potencial para se destacar entre os jogos de ação de 2027.
Stranger Than Heaven será lançado em 15 de janeiro de 2027 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, via Steam. O jogo também estará disponível no Xbox Game Pass no lançamento.
Este preview foi produzido com base em aproximadamente 30 minutos de gameplay de uma versão antecipada disponibilizada durante a Brasil Game Show 2026. As impressões refletem exclusivamente o conteúdo experimentado durante a demonstração.
