Após seis anos desde Nioh 2, a Team Ninja retorna com Nioh 3, apostando não apenas em refinamento, mas em uma reestruturação significativa da fórmula. O resultado é um action RPG que preserva a essência brutal da série enquanto amplia sua escala, complexidade e liberdade de abordagem, consolidando o terceiro capítulo como o mais ousado da franquia.
Uma história que atravessa o tempo e amadurece o universo
Diferente dos jogos anteriores, Nioh 3 constrói sua narrativa a partir de um eixo central que conecta diferentes períodos históricos do Japão, usando a viagem no tempo não apenas como pano de fundo, mas como motor narrativo. A jornada de Tokugawa Takechiyo, marcado pela rivalidade com seu irmão Kunimatsu e pela influência da entidade Hiruko, cria um conflito que transita entre drama político, mitologia japonesa e horror sobrenatural.

A presença de uma força corruptora que distorce a realidade dá força à narrativa, transformando cenários históricos em versões mais hostis e perigosas. Essa escolha reforça o tom sombrio do jogo e permite que a Team Ninja explore eras como o Bakumatsu, Heian e o período Sengoku com identidade própria. Ainda assim, a narrativa continua sendo apresentada de forma fragmentada, exigindo atenção do jogador para compreender plenamente seus temas, o que pode afastar quem espera uma condução mais direta ou cinematográfica.
Combate reinventado: Samurai e Ninja em perfeita harmonia
O combate segue como o coração de Nioh 3, agora mais flexível e expressivo do que nunca. A introdução dos estilos Samurai e Ninja redefine completamente a dinâmica das batalhas. O estilo Samurai preserva o DNA clássico da série, com foco em gerenciamento de Ki, domínio de posturas e leitura precisa dos inimigos. Já o estilo Ninja aposta em velocidade, mobilidade e ataques furtivos, ampliando o uso de ninjutsu e evasões rápidas.

A possibilidade de alternar entre os dois estilos em tempo real deixa o combate mais versátil e estratégico, incentivando adaptações constantes conforme o tipo de inimigo ou situação. Essa liberdade amplia significativamente as opções de build, mas também eleva a curva de aprendizado. Jogadores menos experientes podem se sentir sobrecarregados nas primeiras horas, já que o jogo pouco se preocupa em simplificar seus sistemas.
Mas caso consiga se adaptar Nioh 3 entrega algumas das batalhas mais intensas e satisfatórias da franquia, exigindo precisão, planejamento e execução quase cirúrgica.
Exploração em mapas mais amplos e interconectados
Uma das mudanças mais perceptíveis está na estrutura do mundo. Nioh 3 abandona parcialmente o modelo rígido de missões isoladas e passa a trabalhar com mapas mais amplos e conectados. Essa abordagem favorece uma exploração mais orgânica, recompensando a curiosidade do jogador com equipamentos raros, encontros opcionais e desafios secundários que enriquecem a progressão.

O sistema de progressão por regiões incentiva o domínio gradual de cada área antes de avançar, reforçando o senso de risco e recompensa. No entanto, essa expansão estrutural nem sempre vem acompanhada de variedade equivalente. Em alguns momentos, há repetição de objetivos e reutilização de elementos visuais, o que pode gerar uma leve sensação de repetição.
Performance, multiplayer e qualidade técnica
Do ponto de vista técnico, Nioh 3 é o título mais estável da franquia até agora. No PlayStation 5, o desempenho é consistente, com boa fluidez durante o combate, algo essencial para um jogo que exige respostas rápidas e precisão absoluta.

O modo cooperativo online retorna permitindo que até três jogadores enfrentem os desafios juntos. A experiência funciona bem como suporte ao modo solo, mas continua sendo pouco integrada à narrativa, atuando mais como um complemento opcional do que como parte essencial da experiência.
Apesar de sua ambição, Nioh 3 não está livre de problemas. A curva de aprendizado extremamente íngreme pode afastar novos jogadores, especialmente pela quantidade de sistemas apresentados em um curto espaço de tempo. A narrativa fragmentada exige dedicação para ser plenamente compreendida, o que pode frustrar quem espera uma história mais acessível. Além disso, a expansão da exploração sofre com certa repetição estrutural e variedade limitada de desafios em alguns mapas.
Devo comprar?
Nioh 3 representa o ápice criativo da Team Ninja dentro da franquia. É um jogo mais ambicioso, mais profundo e mais exigente do que os jogos anteriores. Suas mudanças estruturais, e a mudança de estilos e o foco em exploração mostram um estúdio disposto a evoluir, mesmo correndo o risco de dividir opiniões.
Para veteranos, trata-se de uma experiência rica, intensa e recompensadora. Para novos jogadores, o caminho pode ser árduo, mas igualmente gratificante. Nioh 3 não busca agradar a todos ele prefere se manter fiel à sua identidade, e é justamente isso que o torna tão marcante.
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