Com a chegada de Avowed ao PlayStation 5, finalmente temos a chance de analisar o novo projeto da Obsidian. Antes o jogo era exclusivo do Xbox, lançado originalmente em 18 de fevereiro de 2025. Mas enfim, a sensação que fica é um tanto curiosa: Avowed é interessante, mas vive à sombra de decisões de design que parecem lutar contra o próprio potencial do jogo.
Um mundo mágico e genérico

Visualmente, Avowed é simpático. O jogo apresenta cobres vibrantes e exóticas. Florestas tomadas por raízes gigantes, cidades tensas politicamente, ruínas antigas escondidas atrás de cachoeiras, cavernas cheias de atalhos e segredos.
Explorar é divertido. Subir estruturas, saltar penhascos, vasculhar cantos escondidos. O level design das áreas externas e das dungeons é são competentes, distribui caminhos alternativos e recompensas escondidas. É um mundo que convida à curiosidade. Até que o sistema de progressão começa a colocar “placas invisíveis”, como inimigos extremamente fortes que te impedem de seguir.
Não se trata de um mundo aberto, como vimos em Fallout ou The Elder Scrolls, mas sim grandes zonas abertas e sequenciais. Porém, inimigos não reaparecem. Eventos dinâmicos praticamente inexistem. Após limpar uma área, ela se torna um espaço bonito, mas completamente vazio.
Convenhamos, tudo que o jogo traz é um feijão com arroz bem feito, sem muita originalidade com outros jogos do gênero.
Combate competente

O combate é um dos pontos divertidos do jogo. Ele é responsivo, tem peso e dá um feedback visual satisfatório. De acordo com seus golpes os inimigos cambaleiam, congelam, são arremessados para trás. Parry é um pouco complicado, mas quando você pega o jeito ele funciona bem, esquivas são precisas e existe uma leve camada tática graças à roda de habilidades que pausa o tempo.
Mas existe uma diferença gritante entre estilos. Jogar como mago transforma a experiência. Magias têm impacto visual forte, efeitos claros e sensação real de poder. Raios saltando entre inimigos, bolas de fogo explodindo com violência, gelo despencando do céu.
Os grimórios são um sistema interessante, oferecendo quatro magias por livro, combinadas com a árvore de habilidades. Há liberdade de criação e uma sensação genuína de progressão. Ser mago em Avowed é divertido do começo ao fim.
Já outras builds nem tanto. Combate corpo a corpo funciona, mas entra em repetição rápido demais. Armas de fogo têm conceito interessante, mas faltam impacto e mais personalidade.
Existe uma desigualdade clara de qualidade entre os estilos. Dá para jogar de guerreiro ou atirador, mas dificilmente você vai se sentir tão empolgado quanto lançando feitiços.
Por isso recomendo ser um mago-guerreiro. Quando a mana acaba é hora de descer a porrada com suas espadas!
Ainda sobre o combate. Os companheiros ajudam na hora da porrada e têm habilidades próprias que complementam sua build. Funcionam bem mecanicamente.
Escolhas que realmente importam, mas quem sem importa?

Narrativamente, Avowed entrega algo que muitos RPGs prometem e poucos cumprem: decisões com consequência real. Como na maioria dos grandes RPGs suas escolhas podem alterar destinos, afetar cidades, mudar relacionamentos e influenciar o final. Nem sempre existe resposta certa. E mesmo após o final, algumas decisões continuam pesando.
O problema está na execução. O sistema funciona, mas a escrita nem sempre acompanha. A maioria dos diálogos soam mecânicos, e certos conflitos parecem menos profundos do que deveriam. Seu personagem não traz expressões e os NPCs também.
Um tanto complicado

O maior tropeço de Avowed está em complicar o seu sistema de progressão. O jogo adota equipamentos divididos por cores que acompanham as zonas da campanha, fazendo com que o nível do seu personagem pese menos do que o nível da sua arma.
Na prática, isso cria uma gangorra constante: em certos momentos ou os inimigos parecem muralhas intransponíveis, ou, depois de um upgrade, viram alvos de treino. A promessa de exploração livre também perde força, já que muitas áreas só podem ser enfrentadas quando seu equipamento atinge um nível muito mais alto.
O resultado é um pouco frustrante. Você avista algo interessante no horizonte, decide investigar, descobre que seu dano não é suficiente, recua para farmar materiais raros, melhora o equipamento e retorna… apenas para perceber que agora não há mais desafio algum. O equilíbrio ideal quase nunca aparece.
Considerações finais

No geral, Avowed entrega uma experiência sólida, com combate envolvente, boas ideias de construção de personagem e decisões que realmente impactam a narrativa, mas acaba limitado por um sistema de progressão mal equilibrado e por uma ambientação que soa pouco inspirada e diálogos mecânicos. É um RPG que entretém e mostra lampejos de grandeza, mas nunca atinge todo o potencial que claramente tinha para se destacar no gênero.
A review de Avowed foi realizada com uma cópia cedida pela Xbox Game Studios.
Distribuidora: Xbox Game Studios
Desenvolvedor: Obsidian
Gênero: RPG
Disponível para: PlayStation 5, Xbox Series e PC
Data de lançamento inicial: 17 de fevereiro de 2026
