Se você faz parte da legião de leitores que associam o nome de Colleen Hoover a caixas de lenços, romances avassaladores e dramas de partir o coração, prepare-se para um choque. A autora, consagrada mundialmente por obras que exploram a complexidade do amor e da dor, surpreendeu seus fãs com “Verity“, um suspense psicológico que a Galera Record trouxe para o Brasil como parte da coleção de títulos da autora.
Esqueça as lágrimas de emoção, pois a proposta aqui é uma perturbação que promete manter você acordado até conseguir virar a última página. Finalista do prêmio Goodreads de 2019, esta obra marca um ponto de inflexão na carreira de Hoover, provando que sua habilidade narrativa vai muito além do romance contemporâneo.

“Verity” nos apresenta a Lowen Ashleigh, uma escritora que vive o oposto do glamour literário, sempre à beira da falência financeira e com uma carreira estagnada, Lowen recebe uma oferta de trabalho que parece a salvação de sua vida, com a missão de completar os livros restantes de uma série de sucesso, pois a autora original, Verity Crawford, sofreu um terrível acidente que a deixou incapacitada, em um estado vegetativo e que a impede de concluir suas obras. É nesse cenário que Jeremy Crawford, o marido de Verity, convida Lowen para passar alguns dias na residência do casal, para ela conseguir organizar as notas e esboços deixados pela esposa e dar continuidade ao legado literário da família.

O que deveria ser apenas um trabalho técnico de ghostwriter (profissional da escrita contratado para produção literária sem receber crédito oficial pela autoria) rapidamente se transforma em um pesadelo claustrofóbico. Ao mergulhar no caótico e desorganizado escritório de Verity, Lowen não encontra apenas rascunhos de capítulos futuros, mas sim algo muito mais sombrio com o que parece ser uma autobiografia não publicada. Nestas páginas, escritas com uma franqueza brutal e perturbadora, Verity narra fatos que vão desde o dia em que conheceu Jeremy até os instantes anteriores ao seu acidente. O texto, no entanto, não é uma história de amore, mas sim uma confissão de uma mente doentia que detalha, com frieza, sua perspectiva sobre tragédias familiares que você vai descobrindo aos poucos.

É neste ponto que Colleen Hoover mostra uma faceta que os fãs ainda não conheciam, se afastando drasticamente do estilo que a consagrou e criando uma narrativa em “Verity” como um jogo de espelhos, em que a tensão cresce a cada página. Enquanto Lowen lê o manuscrito, a atmosfera da casa se torna cada vez mais opressiva enquanto ela se vê presa em uma rede de mentiras, segredos e uma atração física e emocional crescente por Jeremy.

A construção do suspense é magistral, pois a autora consegue misturar presente, com a escrita do novo livro, e passado, com a leitura do manuscrito, fazendo com que nós, leitores, descubramos os horrores dessa história junto com Lowen. A experiência é imersiva e desconfortável, criando um ritmo muito agradável e viciante para a leitura. Se você busca uma leitura rápida, intensa e perturbadora, “Verity” é a escolha obrigatória para a sua estante.