High on Life 2 não era um jogo tão aguardado, já que o primeiro tinha boas ideias, mas tropeçava em level design preguiçoso, plataforma meio travada e uma enxurrada de piadas que nem sempre acertavam o alvo. A sequência, felizmente, não só aprende com esses erros como entrega algo muito mais redondo, mais ágil e, principalmente, muito mais louco e divertido de se jogar.
Recapitulação criativa

Você retorna como o caçador de recompensas adolescente que salvou a humanidade do cartel alienígena G3 e agora virou celebridade intergaláctica. A abertura, em formato de talk shows e flashbacks jogáveis, funciona como tutorial e resumo da história anterior, tudo de forma rápida e divertida.
A trama ganha novo rumo quando você e sua irmã passam a enfrentar a poderosa Rhea Pharmaceuticals, que quer transformar humanos em comprimidos medicinais viciantes. A crítica pode não ser profunda, mas rende missões mais variadas e interessantes do que no primeiro jogo.
Criatividade, skate e loucura, loucura, loucura

Os cenários estão muito mais ambiciosos. Um dos destaques é ConCon, um planeta inteiro dedicado a convenções, onde até a disputa por vagas de estacionamento vira batalha intergaláctica. O level design é mais imaginativo e mantém o fôlego criativo até nas horas finais da campanha, sem parecer que o jogo fica sem ideias no meio do caminho.
A maior evolução está na movimentação. O skate transforma completamente o ritmo do jogo. Grindar, pular, usar wall ride e combinar tudo com dash aéreo e tiros cria uma fluidez que o primeiro nunca teve. As arenas são maiores e pensadas para esse tipo de mobilidade, deixando tudo mais dinâmico e divertido.
Cruzar o mapa fazendo manobras enquanto derruba inimigos no caminho é simplesmente satisfatório. Tecnicamente, ainda há pequenos problemas, como quedas ocasionais de frame e alguns bugs pontuais. Nada grave, mas perceptível.
Armas com personalidade

O combate continua leve e caótico, mas agora há mais variedade de inimigos e armas interessantes, como um arco capaz de criar fendas dimensionais para atravessar disparos. As Gatlians, as armas falantes, continuam sendo o grande charme da série.
A diferença é que o texto está mais controlado. Ainda é caótico e exagerado, mas menos irritante. As armas têm mais personalidade e você pode até ajustar o nível de falatório, o que ajuda bastante.
Mais humor

O humor continua sendo um dos pilares do jogo. Mistura piadas inteligentes, nonsense, quebra da quarta parede e referências culturais a todo momento. Nem tudo funciona, mas a taxa de acertos é maior do que antes. O jogo parece mais confiante e menos desesperado para chamar atenção.
E aqui vai uma das minhas criticas negativas com a localização do jogo. Cadê uma dublagem em português? Um jogo que se apoiam no humor deveria trazer uma versão dublada, muitas piadas seriam ainda mais divertidas se ouvidas em portugês. Além do mais, no meio de tanto caos se você não tiver o ouvido treinado no inglês, você vai perder boa parte delas.
Considerações finais

No fim, High on Life 2 prova que aprendeu com os erros do passado: melhora a movimentação, entrega fases mais criativas, traz novidades em sua jogabilidade e constrói uma narrativa mais coesa, transformando uma ideia bagunçada em uma experiência sólida e divertida. Desta vez, o jogo se sustenta não apenas pelo humor irreverente, mas pela evolução clara em quase todos os aspectos de sua jogabilidade.
A review de High on Life 2 foi realizada com uma cópia cedida pela Squanch Games.
Distribuidora: Squanch Games
Desenvolvedor: Squanch Games
Gênero: Ação e aventura
Disponível para: PlayStation 5, Xbox Series e PC
Data de lançamento inicial: 13 de fevereiro de 2026
