Quando Final Fantasy VII Rebirth foi lançado, muita gente acreditava que o jogo seria impossível de rodar em um hardware portátil sem compromissos severos. Por isso, a chegada da aventura ao Nintendo Switch 2 impressiona logo de cara.
A segunda parte da trilogia remake acompanha Cloud e companhia após a fuga de Midgar, expandindo o mundo de uma forma gigantesca. O que antes era uma jornada relativamente linear se transforma em uma aventura repleta de regiões abertas, minigames e momentos narrativos que alternam entre nostalgia e reinvenção.
Como está a versão de Switch 2?
Indo direto ao ponto, existem reduções visuais notáveis quando comparadas às versões de PlayStation 5 e PC. Texturas, distância de renderização e a qualidade geral da imagem sofreram alguns ajustes para acomodar o hardware portátil. Ainda assim, o resultado final é melhor que o esperado.

O jogo permanece bonito, os tempos de carregamento são rápidos e a experiência geral se mantém bastante estável tanto no modo portátil quanto na TV. O equilíbrio entre qualidade visual e desempenho é um dos maiores acertos desse port.
Obviamente, não é uma versão tecnicamente definitiva de Rebirth, mas é facilmente uma das conversões mais impressionantes já vistas em um console híbrido da Nintendo, mantendo o nível de qualidade visto na primeira parte do remake.
Um mundo enorme na palma da sua mão
O maior mérito de Rebirth continua sendo sua capacidade de transformar locais clássicos do jogo original em espaços vivos e exploráveis.
Regiões como Grasslands, Junon e Cosmo Canyon se tornaram áreas repletas de conteúdo. Existe sempre algo para descobrir: missões secundárias, desafios de combate, atividades de exploração ou personagens que ajudam a aprofundar o universo.

O mais interessante é que boa parte desse conteúdo opcional realmente vale a pena. Diferentemente de muitos RPGs de mundo aberto, as atividades normalmente servem para expandir histórias, desenvolver personagens ou apresentar novas mecânicas.
Ao mesmo tempo, a enorme quantidade de conteúdo pode ser um problema. Em alguns momentos, o jogo parece exagerar no número de tarefas e colecionáveis, fazendo com que o ritmo principal desacelere mais do que deveria.
Um dos melhores sistemas de combate da série
Se o mundo impressiona, o combate continua sendo o verdadeiro destaque. A mistura entre ação em tempo real e comandos estratégicos permanece excelente. Você pode controlar diretamente os personagens durante as batalhas, mas também precisa administrar habilidades, magias, invocações e sinergias entre os membros da equipe.
O resultado é um sistema profundo sem ser complicado demais. Cada personagem possui um estilo único: Cloud continua versátil, Tifa é extremamente ágil, Barret domina confrontos à distância e Aerith funciona como suporte. Alternar entre eles durante os combates torna as batalhas mais dinâmicas e ajuda a evitar repetição.

Mesmo com todo o foco na exploração e no combate, o que realmente sustenta Rebirth são seus personagens. Cloud, Aerith, Tifa, Barret, Red XIII e os demais integrantes do grupo recebem um nível de desenvolvimento raramente visto em RPGs modernos.
Conversas opcionais, eventos paralelos e interações durante a exploração ajudam a criar vínculos muito mais fortes que no jogo original. Isso torna os momentos emocionais ainda mais impactantes.
O roteiro continua tomando algumas liberdades em relação ao clássico de 1997, algo que certamente divide opiniões. Ainda assim, é difícil negar a qualidade da narrativa e do elenco.
Minigames demais
Uma das características mais marcantes de Rebirth é a quantidade absurda de minigames. Há corridas de chocobo, jogo de cartas, desafios musicais, atividades esportivas e dezenas de outras distrações espalhadas pelo mundo. Em certos momentos, parece que a Square Enix tentou colocar um jogo diferente dentro de cada cidade.

O resultado é inconsistente. Alguns minigames são genuinamente divertidos e acabam funcionando como uma pausa bem-vinda entre os grandes eventos da campanha. Outros parecem apenas “encher linguiça” e acabam interrompendo o ritmo da aventura. É um dos poucos aspectos em que o jogo claramente exagera.
Veredito
Final Fantasy VII Rebirth já era um RPG extraordinário antes do Switch 2 e continua sendo na plataforma da Nintendo.
O mundo gigantesco, o excelente sistema de combate, os personagens memoráveis e a enorme quantidade de conteúdo continuam fazendo dele uma das produções mais ambiciosas da Square Enix. Ao mesmo tempo, alguns excessos ainda afetam o ritmo da campanha.
O que realmente surpreende é a qualidade da adaptação. O Switch 2 talvez não entregue o mesmo impacto visual das plataformas mais poderosas, mas consegue preservar aquilo que realmente importa: a essência da experiência.
Para quem esperava jogar Final Fantasy VII Rebirth em qualquer lugar, esta versão cumpre sua missão com folga. É um dos melhores RPGs disponíveis no console e mais uma demonstração de que o hardware da Nintendo está preparado para receber produções muito maiores do que se imaginava.
