South of Midnight chama atenção logo de cara por apostar em um cenário pouco explorado nos games: o folclore do sul dos Estados Unidos. Agora chegando ao PlayStation 5 após seu lançamento inicial, o jogo mostra que sua maior força está justamente na identidade. É uma experiência que mistura fantasia, drama e elementos culturais de forma bem particular, criando algo que foge do comum dentro dos jogos de ação e aventura.
Um outro lado dos EUA

A jornada acompanha Hazel, que parte em busca da mãe após uma enchente devastadora levar sua casa. No meio disso, ela descobre ser uma Weaver, alguém capaz de manipular memórias e energias ligadas ao sofrimento das pessoas. A narrativa vai além de uma simples busca pessoal e mergulha nas histórias dos habitantes de Prospero, uma região fictícia inspirada no sul dos EUA.
O jogo brilha ao explorar temas pesados como trauma, perda e desigualdade, usando o folclore local como base para suas histórias. Criaturas como o Rougarou e outras lendas menos conhecidas ajudam a construir um mundo rico e cheio de personalidade. Em muitos momentos, as histórias paralelas acabam sendo até mais impactantes do que a trama principal, mantendo o jogador constantemente envolvido.
O simples bem feito

South of Midnight segue uma estrutura relativamente simples de ação em terceira pessoa com forte foco em exploração e plataforma. Hazel utiliza seus poderes para criar estruturas, atravessar cenários e resolver pequenos puzzles, além de coletar recursos para melhorar suas habilidades.
O combate é direto, mas funcional. Hazel enfrenta criaturas conhecidas como Haint, manifestações físicas da dor e do sofrimento humano. As batalhas não são extremamente complexas, mas funcionam bem graças à variedade de habilidades, como puxar inimigos, atordoar ou até controlá-los temporariamente. Apesar disso, há momentos em que o gameplay pode parecer repetitivo, especialmente porque os combates acontecem em áreas específicas e seguem uma estrutura previsível.

Mesmo sendo mais simples do que grandes referências do gênero, o combate consegue se manter interessante ao longo da campanha. Novos inimigos surgem gradualmente, exigindo pequenas adaptações estratégicas, e as habilidades de Hazel ajudam a dar um certo frescor às lutas.
Os chefes também são um ponto positivo, trazendo desafios mais elaborados e bem construídos. Além disso, o jogo oferece diferentes níveis de dificuldade, permitindo ajustar a experiência conforme o estilo de cada jogador.
Direção de arte original

Visualmente, South of Midnight é um espetáculo. O uso de animações em estilo stop-motion combinado com uma estética estilizada cria uma identidade muito forte. Os cenários variam entre pântanos, florestas e áreas rurais, todos carregados de detalhes e atmosfera.
Mesmo nos momentos mais sombrios, há uma beleza única no mundo do jogo. Ainda assim, nem tudo é perfeito: problemas de carregamento de texturas e pequenos glitches visuais aparecem ocasionalmente, o que pode quebrar um pouco da imersão.
Só música boa

A trilha sonora é, sem exagero, um dos maiores destaques. Misturando jazz, blues e folk, ela não apenas acompanha a ação, mas participa diretamente da narrativa. Em momentos-chave, as músicas ajudam a contar histórias e reforçar o peso emocional das situações.
O trabalho de dublagem também merece elogios, trazendo autenticidade aos personagens e ajudando a dar vida ao mundo de Prospero. O sotaque regional e o carisma dos personagens contribuem muito para a imersão.
Nem tudo é perfeito

Apesar de muito competente, South of Midnight não escapa de alguns problemas. O gameplay pode se tornar repetitivo com o tempo, especialmente pela estrutura previsível dos combates. Também há pequenas falhas técnicas, como bugs e problemas de carregamento, além de momentos em que o ritmo da narrativa desacelera mais do que deveria.
Nada disso chega a comprometer a experiência de forma grave, mas são pontos que impedem o jogo de alcançar um nível ainda mais alto.
Considerações finais

South of Midnight é um jogo que conquista muito mais pela sua identidade do que só pela gameplay. Com uma ambientação única, uma trilha sonora marcante e uma narrativa carregada de emoção, ele se destaca facilmente entre os títulos recentes. Ainda assim, é uma experiência diferente, cheia de personalidade e que merece atenção, especialmente para quem busca algo fora do padrão dentro do gênero.
A review de South of Midnight foi realizada com uma cópia cedida pela Thunderful Publishing.
Distribuidora: Xbox Game Studios
Desenvolvedor: Compulsion Games
Gênero: Hack and slash
Disponível para: Xbox One, Xbox Series, PlayStation 5, Nintendo Switch 2 e PC.
Data de lançamento inicial: 31 de março de 2026
