9.5

9.5

Avaliação Geral

História
9.0
Gráficos
10.0
Trilha Sonora
8.0
Mecânicas
10.0
O bom
  • Combate dinâmico e empolgante
  • Elementos de RPG
  • Mapa imenso e belíssimo
  • Missões secundárias com histórias únicas
  • Boa dublagem
O mau
  • Objetivos meio repetitivos
  • Exploração repetitiva demais após um certo ponto
  • Não há muito balanceamento de level

A saga dos assassinos já teve muitos altos e baixos. Com 10 anos de existência, a Ubisoft sempre tentou incrementar cada um de seus jogos com coisas novas, mas sem abrir mão do que o jogo já possuía, e isso funcionou em alguns títulos enquanto em outros tudo foi por água abaixo. Eis que diante de tantas críticas, a franquia, que é anual, entrou em um hiato de 1 ano sem receber nenhum jogo novo para a série principal, e depois de muitos vazamentos, na E3 deste ano tivemos o anúncio de Assassin’s Creed Origins, uma pre-sequel que contaria o início do credo no Egito Antigo.

É fato que até mesmo os fãs mais aficionados da franquia resolveram não se deixar levar pela hype dos trailers e gameplays, que mostravam que o jogo aparentava estar excelente. Tudo estava bom demais para ser verdade, e no final poderia ser apenas mais do mesmo, alimentando ainda mais a decepção acumulada dos títulos anteriores. A hora da verdade chegou com o lançamento do game no final de outubro, e para a alegria de todos nós, que estamos acompanhando os passos dessa história desde quando Altaïr deu as caras pela primeira vez, a Ubisoft acertou em cheio.

O nascimento dos assassinos

A estrela da vez é o assassino Bayek, o último dos guerreiros chamados de medjai. Bayek é um homem com um passado muito sombrio que foi consumido pelo seu desejo de vingança ao faraó Ptolomeu e todos os grandes sacerdotes do Egito, que assim como os Templários, buscam a dominação global por meio de artefatos místicos que nós já vimos na série. Nessa época, o credo ainda não havia sido formado, mas a ideia e as tradições já existiam e eram passados por gerações entre os medjai, e assim presenciaremos o início da ordem dos assassinos.

A fórmula se manteve a mesma. Tudo que mais gostamos dos outros jogos permanece nesse, incluindo um mapa imenso, saltos da fé, gameplays fora do Animus e o parkour, é claro. Ainda assim, mesmo aparentando ser mais do mesmo com uma ambientação diferente, os desenvolvedores conseguiram renovar consideravelmente essa fórmula, de modo que você já começa sabendo jogar o game por conta dos anteriores, mas ainda assim precisa aprender coisas novas.

O clássico modo furtivo de se esconder na palha não foi esquecido

A primeira grande mudança foi no combate. Seguindo a onda de outros títulos que estão adotando um sistema de combate mais inspirado em Dark Souls, Assassin’s Creed: Origins não ficou de fora e adaptou esse sistema para algo mais dinâmico para a série. O combate dos outros jogos nunca foi algo muito empolgante, onde sempre acontecia dois tipos de situações: ou você apertava os botões feito louco e torcia para matar todo mundo ou você simplesmente esperava um inimigo atacar, usava o contra-ataque e o matava instantaneamente, sempre seguindo essa rotina. Esses tempos ficaram no passado, e mesmo que Origins se passe antes dos outros jogos, o combate aqui é muito mais intenso e emocionante. Com exceção de uma barra de stamina para limitar nossos movimentos, tudo aqui veio de Dark Souls. Bayek precisa travar a mira em seu oponente e saber a hora exata de se defender com seu escudo ou atacar, e acredite, você precisará de uma estratégia para cada tipo de inimigo, pois sair batendo feito louco sempre resultará em morte instantânea. Se não bastasse o combate ter sido muito aprimorado, Bayek pode usar diversas armas diferentes, desde espadas leves até machados e lanças, além do seu arco que também tem algumas variações de um tipo para outro, e o personagem adapta o seu jeito de lutar à arma que está sendo usada, permitindo uma grande variação no estilo de luta e nos combos.

Junto com a atualização do combate veio também elementos de RPG que também estão na moda dentre os jogos de ação e aventura. Agora podemos subir de nível, além de equipar diversos equipamentos que melhoram nossos atributos e facilitam nossa vida nas missões que exigem um level alto, e é claro, uma grande e vasta árvore de skills que aprimora cada vez mais as habilidades de Bayek nas batalhas. Por falar em missões, esteja preparado para gastar dezenas de horas cumprindo missões secundárias, pois o jogo está abarrotado delas, e elas são essenciais para se upar de nível. A Ubisoft realmente cumpriu sua promessa quando ela disse que cada missão secundária no jogo seria única, mas não pense que isso significa que elas nunca se repetem. O que é único são os motivos de cada missão, a historinha que cada uma delas irá te apresentar como desculpa para você fazer aquele objetivo, que pode variar de coisas importantes, como salvar poetas presos por criticarem o governo, até coisas sem sentido, como salvar um grego de levar o golpe do baú. Os objetivos sempre ficam em um ciclo vicioso de salvar pessoas, matar inimigos e investigar locais, porém como cada missão possui sua própria história, temos a falsa sensação de que não estamos repetindo nossos passos de outra missão qualquer.

Conheça o Egito de cabo a rabo

Cada elemento do Egito foi retratado com perfeição

As missões estão espalhadas por cada região do jogo, e o mapa é de longe o maior da série até então. Os desenvolvedores tiveram o cuidado de retratar com perfeição cada região do Egito, e além dos gráficos e das paisagens estarem de cair o queixo, o mapa não é grande apenas quando estamos falando dele como um todo. Cada região do mapa é simplesmente enorme e leva horas para ser explorada por completo, cada uma contendo suas próprias atividades, como tumbas a serem exploradas, covis de animais para caçarmos e cavernas repletas de bandidos. Para aqueles jogadores que não sossegam enquanto não deixam tudo completo por onde passam, se preparem porque Assassin’s Creed: Origins vai tomar muito do seu tempo, e grande parte desse tempo será usando o modo fotografia do jogo, que te permite capturar as belíssimas paisagens do game de uma maneira mais profissional. Para ajudar na exploração do mapa imenso, contaremos com o falcão Senu, o bicho de estimação de Bayek que nos acompanha para todo lugar que vamos e que também é um personagem jogável, onde podemos sobrevoar o Egito com ele e localizar vários pontos de interesse. Senu não é o único animal do nosso lado, como também contaremos com uma montaria própria dessa vez, podendo chama-la aonde quer que estivermos para facilitar na locomoção. A montaria pode ser um camelo, um cavalo ou até mesmo um unicórnio caso você esteja disposto a desembolsar dinheiro real para adquiri-lo.

Não se pode deixar passar batido a riqueza de detalhes do jogo, que impressiona qualquer um que não está jogando em uma rotina maluca de missões, mas que também tira tempo pra apreciar cada aspecto presente no game. Cada NPC tem a sua própria rotina, e vive sua vida normalmente enquanto você está fazendo suas coisas, incluindo a vida selvagem que constantemente pode ser vista caçando outros animais (e pessoas também); raramente você verá os inimigos ou até mesmo o seu personagem atravessar alguma coisa, eles sempre caem e se locomovem respeitando os objetos ao redor; e finalmente o seu personagem reage a quedas muito altas, apesar da tolerância à quedas ainda ser grande. Quando você cair de uma altura considerável, Bayek correrá mancando por uns segundos até se recompor, e apesar de parecer irrelevante, ainda é um detalhe muito legal.

Senu nos permite deslumbrar das mais belas paisagens de uma maneira mais ampla

Um presente para os fãs

Para fechar com chave de ouro, o jogo conta com pouquíssimos bugs relatados, e são coisas simples, nada que prejudique sua jogatina, então pela primeira vez temos um Assassin’s Creed completamente jogável logo no lançamento. A única coisa que pode incomodar alguns seria a dublagem em português brasileiro, que possui algumas vozes que não se encaixam muito bem com o personagem em questão, mas nesse caso a dublagem em inglês está excelente e é uma boa substituição caso a nacional não lhe agrade.

Assassin’s Creed: Origins é um presente da Ubisoft para os fãs da franquia. O jogo tem tudo que faz da saga ser o que ela é, e ainda veio com adendos que enriquecem ainda mais a experiência do jogador, possivelmente se tornando o jogo mais imersivo da série para muitos. É um título obrigatório para todos que curtem os outros jogos e com toda certeza é um dos melhores lançamentos deste ano, sendo um forte concorrente a jogo do ano. Agora cabe a você encarnar o último medjai do Egito Antigo e mostrar ao faraó que nada é verdade e tudo é permitido.

Sobre o autor

Renato Moura Jr.

Aquele típico nerd clichê que todo mundo gosta.